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Всего лишь писатель

Vsego lish pisatel

Apenas um escritor

Álbum: Горгород
Compositor: Oxxxymiron
Letrista: Oxxxymiron
Arranjador: Porchy / Oxxxymiron

Letra em Russo

[Припев]
Горожанам по барабану, кто капитан у штурвала
Не дай Бог мне горе от ума
Если власть — это клоунада, борьба с ней — белиберда
Нахера мне тогда в калашный ряд?
И не надо мне про обман для баранов электората
Игра без правил, я вне её
У меня полна голова тумана, призванье — марать бумагу
Я сам за себя и не ебёт!

[Куплет 1]
Я не был рождён для великих дел
Какой из меня воин, блядь, лидер и диссидент?
И как я очутился, сдуру, где вечный сюр
Посередине жизни в сумеречном лесу?
Я несу и так едва крест, я те не Иса
Кого я и куда поведу, я потерян сам
Они спрашивают: кем же я стал, за что борюсь?
Где дорога? Отъебитесь, ей-богу, дай упорюсь
Дай кредитку, не горячись и не кипишуй
Кто торчит? Меня жить не учи, мы по чуть-чуть
Dolce vita — шик или китч, всё чересчур
Богачи, «Жива» — «Живанши», «Джимми» — «Джимми Чу»
Судя по их глазам, все повеселели весьма
Челюсть туда-сюда, заледенела десна
Честно, я сам не знаю, ребзя, кем же я стал
Я всего лишь писатель, моё дело — писать
И не ебёт!

[Припев]
Горожанам по барабану, кто капитан у штурвала
Не дай Бог мне горе от ума
Если власть — это клоунада, борьба с ней — белиберда
Нахера мне тогда в калашный ряд?
И не надо мне про обман для баранов электората
Игра без правил, я вне её
У меня полна голова тумана, призванье — марать бумагу
Я сам за себя и не ебёт!

[Куплет 2]
Я не подхожу для борьбы со злом
Тут бунтари все обречены, как Авессалом
Я за добро, но я пишу книги, а в остальном
Да гори оно всё пламенем синим, ебись конём!
Страусиный приём, но куда мне лезть на рожон?
Я в городе на птичьих правах, мне здесь хорошо
Я не местный мажор, я, естественно, вижу всё
Мракобесие деспота, но у кого тут честный офшор
Ну-ка? Если нашёл угол, не сри, где живёшь
Эти ваши разговоры про рупор — это пиздёж
Я жопу не лизал у чинуши — совесть чиста
Остальное — задача общества. Слушай, чё ты пристал?
Мне уже втирали про Олимп и стыд
Вечеринка — не монастырь, сними свой нимб, остынь
У нас пир во время чумы, глаза у нимф пусты
Зато наши нимфы юны, ваши — как Windows 3
И не ебёт!

[Припев]
Горожанам по барабану, кто капитан у штурвала
Не дай Бог мне горе от ума
Если власть — это клоунада, борьба с ней — белиберда
Нахера мне тогда в калашный ряд?
И не надо мне про обман для баранов электората
Игра без правил, я вне её
У меня полна голова тумана, призванье — марать бумагу
Я сам за себя и не е…
Горожанам по барабану, кто капитан у штурвала
Не дай Бог мне горе от ума
Если власть — это клоунада, борьба с ней — белиберда
Нахера мне тогда в калашный ряд?
И не надо мне про обман для баранов электората
Игра без правил, я вне её
У меня полна голова тумана, призванье — марать бумагу
Я сам за себя и не ебёт!

[Аутро]
Пойми, меня не ебёт
Я что вам, сильный мира сего, политик? Аллё
Я писатель, роли спасителей — не моё
Смотрите-ка, меня даже гор почти не берёт
Пора домой, эта вечеринка — гнильё
Кто-то перепил и блюёт
Я выхожу на площадь — огни, но мы не в Нью-Йорке
Вдали машина ревёт
Почти сажусь в такси, но внезапно вижу её

Tradução em Português

[Refrão]
Aos cidadãos dá-lhes na mesma, quem é o capitão ao leme
Deus me livre da infelicidade pela inteligência
Se o poder — é uma palhaçada, a luta contra ele — é um disparate
Para que caralho vou eu então meter-me onde não sou chamado?
E não me venham com a conversa do engano para os carneiros do eleitorado
Jogo sem regras, eu estou fora dele
Eu tenho a cabeça cheia de nevoeiro, a vocação — é sujar papel
Eu sou por mim mesmo e que se foda!

[Verso 1]
Eu não nasci para grandes feitos
Que raio de guerreiro, foda-se, líder e dissidente sou eu?
E como vim eu parar, por estupidez, onde há um surrealismo eterno
A meio da vida num bosque sombrio?
Eu já carrego a cruz a custo, não sou o teu Isa
Quem é que eu vou liderar e para onde, eu próprio estou perdido
Eles perguntam: em quem me tornei, pelo que luto?
Onde está o caminho? Desamparem-me a loja, por Deus, deixem-me ficar mocado
Dá-me o cartão de crédito, não te exaltes e não faças escândalo
Quem é que está viciado? Não me ensines a viver, nós é só um bocadinho
Dolce vita — chique ou kitsch, tudo é demais
Ricos, «Giva» — «Givenchy», «Jimmy» — «Jimmy Choo»
A julgar pelos olhos deles, todos se alegraram bastante
O maxilar para a frente e para trás, a gengiva gelou
Honestamente, eu próprio não sei, malta, em quem me tornei
Eu sou apenas um escritor, o meu negócio — é escrever
E que se foda!

[Refrão]
Aos cidadãos dá-lhes na mesma, quem é o capitão ao leme
Deus me livre da infelicidade pela inteligência
Se o poder — é uma palhaçada, a luta contra ele — é um disparate
Para que caralho vou eu então meter-me onde não sou chamado?
E não me venham com a conversa do engano para os carneiros do eleitorado
Jogo sem regras, eu estou fora dele
Eu tenho a cabeça cheia de nevoeiro, a vocação — é sujar papel
Eu sou por mim mesmo e que se foda!

[Verso 2]
Eu não sirvo para a luta contra o mal
Aqui os rebeldes estão todos condenados, como Absalão
Eu sou pelo bem, mas eu escrevo livros, e no resto
Que arda tudo com uma chama azul, que se foda com um cavalo!
A tática da avestruz, mas para que vou eu meter a cabeça na guilhotina?
Eu estou na cidade com direitos de passarinho, eu estou bem aqui
Não sou um beto local, eu, naturalmente, vejo tudo
O obscurantismo do déspota, mas quem é que tem aqui um offshore honesto
Vá lá? Se encontraste um canto, não cagues onde vives
Estas vossas conversas sobre megafone — é treta
Eu não lami o cu ao burocrata — a consciência está limpa
O resto — é tarefa da sociedade. Ouve lá, porque estás a melgar?
Já me impingiram a conversa sobre o Olimpo e a vergonha
A festa — não é um mosteiro, tira a tua auréola, arrefece
Nós temos um banquete durante a peste, os olhos das ninfas estão vazios
Em compensação as nossas ninfas são jovens, as vossas — são como o Windows 3
E que se foda!

[Refrão]
Aos cidadãos dá-lhes na mesma, quem é o capitão ao leme
Deus me livre da infelicidade pela inteligência
Se o poder — é uma palhaçada, a luta contra ele — é um disparate
Para que caralho vou eu então meter-me onde não sou chamado?
E não me venham com a conversa do engano para os carneiros do eleitorado
Jogo sem regras, eu estou fora dele
Eu tenho a cabeça cheia de nevoeiro, a vocação — é sujar papel
Eu sou por mim mesmo e que se f...
Aos cidadãos dá-lhes na mesma, quem é o capitão ao leme
Deus me livre da infelicidade pela inteligência
Se o poder — é uma palhaçada, a luta contra ele — é um disparate
Para que caralho vou eu então meter-me onde não sou chamado?
E não me venham com a conversa do engano para os carneiros do eleitorado
Jogo sem regras, eu estou fora dele
Eu tenho a cabeça cheia de nevoeiro, a vocação — é sujar papel
Eu sou por mim mesmo e que se foda!

[Outro]
Percebe, que se foda
O que sou eu para vós, um poderoso deste mundo, um político? Alô
Eu sou um escritor, papéis de salvadores — não são a minha cena
Olhem só, até o gor quase não me bate
É hora de ir para casa, esta festa — é podridão
Alguém bebeu demais e está a vomitar
Eu saio para a praça — luzes, mas não estamos em Nova Iorque
Ao longe um carro ruge
Quase que me sento no táxi, mas de repente vejo-a

💡 Interpretação e Contexto Cultural

A Justificação do Apolitismo e a Descida à Decadência
Esta terceira faixa é a resposta direta de Mark ao fã que o criticou na música anterior («Kiem ty stal»). Nela, vemos Mark na festa luxuosa promovida pelas elites que apoiam o corrupto Presidente da Câmara. Ele adota uma postura defensiva, cínica e conformista, defendendo o seu direito a ser «apenas um escritor» e recusando o papel de mártir político num sistema corrompido.

• Literatura Clássica como Escudo: Oxxxymiron enche a letra de referências eruditas para justificar a apatia do personagem. A frase «A meio da vida num bosque sombrio» é a linha de abertura d'A Divina Comédia de Dante. «Infelicidade pela inteligência» («Горе от ума») é uma famosa peça russa de Griboyedov, usada aqui para dizer que a ignorância é uma bênção. «Banquete durante a peste» remete para a obra de Pushkin, simbolizando celebrar num mundo que colapsa.

• Referências Bíblicas: Mark recusa o papel de salvador, dizendo «não sou o teu Isa» (Jesus no Islão). Ele compara os revolucionários condenados a «Absalão» (filho rebelde do Rei David que morreu de forma trágica), argumentando que lutar contra o mal não leva a lado nenhum.

• A Droga e o Conformismo: A descrição da festa de alta sociedade revela o consumo explícito de drogas («maxilar para a frente e para trás», «o gor quase não me bate»). Mark acusa a sociedade de hipocrisia, alegando que está numa cidade onde é um forasteiro («direitos de passarinho») e que a revolução é um dever da sociedade, não dele.

📚 Lição de Russo

Parte 1: Vocabulário Chave
RussoPronúnciaPortuguêsContexto
По барабану[pa ba-ra-BA-nu]Dá na mesma / Não interessaExpressão idiomática muito comum, indicando indiferença total.
Штурвал[shtur-VAL]Leme / TimãoSubstantivo masculino, usado como metáfora para o controlo do governo.
Белиберда[bi-li-bir-DA]Disparate / Sem sentidoSubstantivo feminino coloquial para algo caótico ou absurdo.
Мракобесие[mra-ka-BYE-si-ye]ObscurantismoSubstantivo neutro, atitude anti-intelectual ou opressão tirânica.
Пиздёж[piz-DYOZH]Treta / MentiraCalão fortíssimo (mat). Significa falar de forma enganadora ou hipócrita.
Рожон[ra-ZHON]Ponta aguçada / GuilhotinaNa expressão 'Лезть на рожон' (Procurar problemas / Meter-se em sarilhos).
Parte 1: Expressões Idiomáticas Complexas (Калашный ряд)
No refrão, Mark diz: «Нахера мне тогда в калашный ряд?» (Para que vou eu então meter-me onde não sou chamado?). Esta é uma versão abreviada do provérbio clássico russo «Со свиным рылом в калашный ряд» (Literalmente: Ir com o focinho de porco para a fila do pão tradicional). Significa tentar entrar numa classe, círculo ou debate ao qual não se pertence. Mark usa-o para dizer que, como escritor, não pertence à esfera de luta política.

Parte 2: Calão, Profanidade (Мат) e Impessoalidade
A letra é marcada por um uso agressivo de calão (мат), culminando na expressão «И не ебёт!» (E que se foda! / E não me chateia!). A gramática desta frase é interessante: omite o pronome, criando uma construção impessoal. Literalmente significa «Isso não [me] fode a cabeça». Mostra uma tentativa do personagem de criar uma barreira emocional impenetrável perante as críticas do fã.

Parte 3: Direitos de Passarinho (Птичьи права)
Mark canta: «Я в городе на птичьих правах» (Eu estou na cidade com direitos de passarinho). Esta é uma expressão idiomática idiomática russa que significa estar numa posição muito vulnerável, precária ou não-oficial. Como imigrante ou cidadão sem fortes apoios na cidade de Gorgorod, ele justifica o seu silêncio político com o facto de o sistema o poder esmagar facilmente, não querendo arriscar o seu conforto.

Exercícios Rápidos

Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:

Какое призвание (профессия) у главного героя в этой песне?

Qual é a vocação/profissão do personagem principal nesta canção, segundo ele mesmo?

Faz a correspondência entre os substantivos russos e a sua tradução portuguesa:

Russo:
Штурвал
Мракобесие
Белиберда
Português:
Disparate
Leme
Obscurantismo

Что значит выражение «лезть на рожон»?

O que significa a expressão idiomática «лезть на рожон»?