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Ум

Um

Mente

Álbum: Баста 5, часть 2
Compositor: Василий Вакуленко (Баста)
Letrista: Василий Вакуленко (Баста)
Arranjador: Баста (Gazgolder)

Letra em Russo

[Куплет]
Ума палата, хотя она уже год или два уму маловата
Ум сделал всё, чтобы люди в халатах лечили его халатно
После клинической смерти он, выжив, выжил из ума
Решив, что всё, что держит ум в рамках, — хуже зла
Ум видит фейк, да, я о тебе, завистливый бездарь
Ум знает, что для тебя мои успехи — это стресс
Ум прикрывает меня, когда я открыт и беззащитен
Шепчет: «Будь аккуратней, ты слишком общителен» (слишком, говоришь?)
Ум знает: всему своё место
Ум качает залы, не зная на память ни одного текста
Ум забавляет, сводит с ума тупиц и слюнтяев
В твоей башке слякоть, до старта ты сдулся, поперхнувшись соплями
Ум стелет сталь слоями, ему плевать на признанье и славу
Ведь его ждут стены которые ещё не сломал он
Ум лечили и чуть не тронулись умами сами
Тешат своё тщеславие, ум чесал их, играл с ними часам
Ум управлял мозгом, через мозг телом
В итоге всё закончилось незакрытым делом
Ум с азартом включался в хитрые игры
Сливаясь с телом и в монолит, чтобы без проблем рулить им
Если я был против, ум на обиде уходил (что?)
Я оставался беспомощным сумасшедшим паралитиком
Ум ненавидит любовь, вернее видит в ней боль
И поэтому любовь для него — это ненужный глагол
Ум заставляет не любить их, капает на мозг:
«Любовь — всего лишь жалкая прихоть»
Душа страдала, вопила, ныла, хныкала
Ум мучил её, ехидно хихикая
Ум слушал исповедь пьяной обреченной шлюхи
Чтобы потом утешить её, спустив брюки
Ум велел сочувственно кивать в нужный момент, пустить слезу
«Ври, играй, обманывай, используй, удали зуд»
Ум гонял душу из угла в угол затыкая пасть совести:
«Я логичен, а ты страх, ты животный инстинкт»
Ум ищет во всём скрытый смысл и подтекст
Не забудь достать ствол, когда зайдёшь в этот тёмный подъезд (в этот подъезд?)
Ум употреблял очередную дозу (дозу)
Чтобы после превратить в шедевр черновики и наброски
Ум заставлял бежать за добавкой
Подталкивал к краю, кричал:
«Ты под стаффом талантлив»
Ум сталкивал лбами людей, заплетал интриги
Сам распутывал, демонстрируя им интеллект (да)
Ум — коварный стратег: сколько сделано
Сколько в запасе забавных мутных идей
Ум — злодей, ум — атеист, начитанный подкованный всезнайка
Бог для него — всего лишь начинка изнанки
Ум не видит смысла в бессмертии и в жизни после
Ум понимает, всё принимает, ум осознает всё
Ум был на Тибете, потом Индия, следом Китай
Свобода была близка, но ум построил стену, а сверху плита
Ум одинок, в чём с лёгкостью признается себе сам:
«Хм, жизнь — клуб по интересам»
Стенка на стенку, ум на ум, война умов
Для ума праздник — растоптать соперника
Подчинить себе, повелевать, приказывать
Мучить судорогами, истязать спазмами
Чтобы зараза, чтобы маразм, чтобы ум за разум
Ум — условный Агасфер в формате идей
Продолжает жить, поражая новых людей
Чья-то нежная душа — подходящий клиент (вполне)
Ум не доска, не гроссмейстер, не ферзь, не пешка (не пешка)
Ум в этой игре — циничная усмешка
Циничная ухмылка, зловещий дьявольский смех
Ум в этой игре — успех, любой ценой успех
Ум в руках по локоть в крови, ум есть ужас войны
Ум в конверте с бабками в кармане у умного судьи
Ум просветлялся, полоскаясь в хлорке
Кетыч, допы, мескаль, грибы, аяваска, американские горки
Ум впадал в спячку демонстративно на зло (на зло)
Вынуждая будить его, вводя раствор (скорей)
Написанное от души ум критиковал, поливал грязью
Глумился, называл душу размазнёй, плаксивой мразью
Я для него был калекой, обузой, мясо, мышцы, скелет
«Да, я…», — искусственный интеллект
Ум, трогая, становился опасным, кричал:
«Сердце — кусок мяса, мозг — кусок мяса, сука, ты кусок мяса»
Был закрыт, был закован, был и залечен
В итоге покинул мою голову, вселившись в чей-то соседский череп

Tradução em Português

[Verso]
Inteligência em câmara alta, embora há um ano ou dois a câmara lhe seja apertada
A mente fez tudo para que as pessoas de bata branca a tratassem com negligência
Após a morte clínica ela, ao sobreviver, perdeu o juízo de vez
Decidindo que tudo o que a mantém dentro de limites é pior que o mal
A mente deteta falsidades, sim, falo de ti, incompetente invejoso
A mente sabe que para ti os meus êxitos são puro stresse
A mente protege-me quando estou vulnerável e desamparado
Sussurra: «Tem cuidado, és demasiado comunicativo» (demasiado, dizes tu?)
A mente sabe que tudo tem o seu devido lugar
A mente agita plateias inteiras sem saber de cor uma única letra
A mente diverte-se, enlouquece imbecis e molengas
Na tua cabeça há lamaçal, antes da partida ficaste sem fôlego afogado em queixumes
A mente deita camadas de aço, está-se nas tintas para o reconhecimento e a glória
Pois à sua espera estão muralhas que ainda não deitou abaixo
Tentaram tratar a mente e quase perderam o juízo eles próprios
Alimentam a sua vaidade, a mente provocava-os e brincava com eles durante horas
A mente comandava o cérebro e através do cérebro o corpo
No fim tudo acabou num processo policial sem desfecho
A mente entrava com entusiasmo em jogos ardilosos
Fundindo-se com o corpo num monólito para o pilotar sem qualquer problema
Se eu me opusesse, a mente retirava-se ofendida (o quê?)
E eu ficava reduzido a um paralítico desamparado e louco
A mente detesta o amor, ou melhor, enxerga nele apenas dor
E por isso o amor para ela é um verbo perfeitamente inútil
A mente obriga a não os amar, martela no cérebro:
«O amor não passa de um capricho lamentável»
A alma sofria, berrava, gemia e choramingava
A mente torturava-a, rindo com sarcasmo maldoso
A mente escutava a confissão de uma prostituta ébria e condenada
Para depois a consolar desapertando as calças
A mente mandava anuir com compaixão no instante certo e soltar uma lágrima
«Mente, representa, engana, aproveita-te, alivia a comichão»
A mente encurralava a alma de canto em canto calando a boca à consciência:
«Eu sou a lógica, tu és o medo, és apenas instinto animal»
A mente procura em tudo um sentido oculto e entrelinhas
Não te esqueças de sacar da pistola quando entrares nesta entrada escura (nesta entrada?)
A mente consumia mais uma dose (uma dose)
Para depois transformar rascunhos e notas toscas em obras-primas
A mente forçava-me a correr atrás de nova dose
Empurrava-me para o abismo, gritava:
«Sob o efeito de substâncias és brilhante»
A mente punha pessoas em rota de colisão e urdia intrigas
Desfazia os nós sozinha exibindo perante elas o seu intelecto (pois claro)
A mente é um estratega traiçoeiro: quanta coisa foi feita
Quantas ideias obscuras e caricatas tem ainda na reserva
A mente é vilã, a mente é ateia, sabichona letrada e bem preparada
Deus para ela não passa do enchimento do avesso da realidade
A mente não vê sentido na imortalidade nem na vida do além
A mente compreende tudo, aceita tudo, toma consciência de tudo
A mente esteve no Tibete, depois na Índia, a seguir na China
A liberdade esteve por um triz, mas a mente ergueu uma parede com uma laje por cima
A mente é solitária, facto que admite facilmente para si própria:
«Hum, a vida é apenas um clube de interesses comuns»
Guerra de todos contra todos, mente contra mente, confronto de cérebros
Para a mente o maior feriado é esmagar o adversário
Subjugá-lo, dominar, ditar ordens absolutas
Atormentar com convulsões, supliciar com espasmos
Para que haja contágio, para que haja loucura, para que a cabeça perca o norte
A mente é um Judeu Errante simbólico em formato de pensamentos
Continua a viver, contaminando novas pessoas
A alma delicada de alguém é o cliente perfeito (com toda a certeza)
A mente não é o tabuleiro, nem o grão-mestre, nem a rainha, nem o peão (não é um peão)
A mente neste jogo é o esgar cínico
Um sorriso sarcástico, uma sinistra gargalhada diabólica
A mente neste jogo é o sucesso, o sucesso a qualquer custo
A mente tem os braços mergulhados em sangue até aos cotovelos, a mente é o horror da guerra
A mente vai no envelope com notas no bolso do juiz venal
A mente iluminava-se lavando-se em cloro desinfetante
Quetamina, aditivos, mescalina, cogumelos, ayahuasca, montanhas-russas
A mente entrava em letargia ostensivamente por pura maldade (por pura maldade)
Forçando-me a despertá-la através da injeção de uma solução química (depressa)
O que era escrito com a alma a mente criticava e cobria de lama
Escarnecia, chamava à alma fraquinha sem brio e escória chorona
Eu para ela era um aleijado, um fardo pesado, carne, músculos e esqueleto
«Sim, eu sou...», a inteligência artificial
A mente ao ser tocada tornava-se perigosa, berrava:
«O coração é um pedaço de carne, o cérebro um pedaço de carne, desgraçado, não passas de um naco de carne»
Esteve encerrada, esteve acorrentada, esteve medicada
Até que por fim abandonou a minha cabeça, instalando-se no crânio de um vizinho

💡 Interpretação e Contexto Cultural

• Monólogo psicológico e filosófico monumental: Uma das faixas concetuais mais densas e aclamadas de Basta, estruturada como uma longa confissão contínua sem refrão tradicional, onde a razão humana é personificada como uma entidade cínica, manipuladora e desprovida de alma.
• O intelecto contra o coração e a alma: A lírica retrata a luta feroz entre a mente racionalista («ум логичен, а ты животный инстинкт») e a sensibilidade íntima, mostrando como o excesso de cálculo intelectual aniquila o amor, a compaixão e a fé espiritual.
• Simbolismo mítico e a metáfora de Ahasver: A mente é definida como o Judeu Errante dos pensamentos («условный Агасфер в формате идей»), condenada a vagar perpetuamente e a parasitar novas consciências, antecipando debates premonitórios sobre a frieza desumanizadora da inteligência artificial («Да, я — искусственный интеллект»).

📚 Lição de Russo

Parte 1: Vocabulário Chave
RussoPronúnciaPortuguêsContexto
ума палата[uma palata]inteligência superior, grande intelecto (muitas vezes irónico)Ума палата, хотя она уже год или два уму маловата
халатный[khalatnyy]negligente, descuidado, desleixadoчтобы люди в халатах лечили его халатно
ехидно[yekhidno]com sarcasmo maldoso, mordazmenteУм мучил её, ехидно хихикая
подкованный[podkovannyy]preparado, experiente, bem instruídoначитанный подкованный всезнайка
Агасфер[Agasfer]Ahasver, o Judeu ErranteУм — условный Агасфер в формате идей
размазня[razmaznya]pessoa mole, fraca, sem determinaçãoназывал душу размазнёй, плаксивой мразью
Parte 1: O Tropeço Paronímico e Polissémico («В халатах» e «Халатно»)
Basta explora a semelhança etimológica entre o substantivo халат (bata médica) e o advérbio халатно (com negligência profissional), denunciando a frieza burocrática dos tratamentos psiquiátricos.
Parte 2: A Locução Substantiva Expressiva «Ума палата»
A expressão tradicional ума палата refere-se historicamente à câmara de conselheiros do Tsar e é usada para louvar a vasta sabedoria ou, em contextos satíricos modernos, a megalomania intelectual de quem crê saber tudo.
Parte 3: O Provérbio de Desvario Mental «Ум за разум заходит»
A fórmula popular russa ум за разум descreve o estado de confusão extrema em que a acumulação excessiva de pensamentos contraditórios conduz à perda do bom senso e ao bloqueio emocional.

Exercícios Rápidos

Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:

С каким легендарным вечным скитальцем сравнивается ум в тексте песни?

A que lendária figura mítica e errante Basta compara a mente intelectual no texto?

Associe as palavras aos seus significados em português:

Russo:
совесть
доза
череп
интеллект
Português:
intelecto
consciência
dose
crânio

Каким пренебрежительным словом ум называет чувствительную душу?

Como é que a mente qualifica depreciativamente a alma sensível no desfecho da canção?