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Солнца не видно ft. Бумбокс

Solntsa ne vidno ft. Boombox

Não se Vê o Sol ft. Boombox

Álbum: Баста 3
Compositor: Василий Вакуленко (Баста), Андрей Хлывнюк
Letrista: Василий Вакуленко (Баста), Андрей Хлывнюк
Arranjador: Баста (Gazgolder)

Letra em Russo

[Интро]
What do you see when you close your eyes?
Your eyes—

[Припев: Бумбокс, Баста]
Здесь даже солнца не видно, говорят
Здесь нехуй ловить нам, но мы
Мы в собственном ритме
Мутим то, что помогает жить нам
Пропитаны бытом и пылью
Здесь без мазы сказку сделать былью
И время шепчет: «I'll kill you»
Но мы мутим то, что помогает жить нам

[Куплет 1: Баста]
Здесь даже солнца не видно
И сюжеты далеки от позитивных цветных фильмов
На ботинках грязь с пылью, и сына
Может спасти маза, вовремя палево скинуть
Мало тех, кто, если чё, прикроет спину
И сила в том, чтобы надеяться на свою силу
Для этих псин в синем мы просто быдло
И выбор не велик: молчать или быть убитым
В попытке что-то изменить немало людей сгинуло
По приговору суда либо через киллера
Игры в справедливость в программах Любимова
Наивно полагать, что с этого будет хоть какой-то выхлоп
Выхода не видно, не ходил на выборы
Им всё-равно на чём клясться: на конституции или Библии
Они голосят о свободе на митингах
Рассматривая страну, как фирму — просчитывая прибыль
И плевать, кто решает: Москва или Киев
Лучше скажите, как прожить на прожиточный минимум
О чём вы молитесь в храме Христа Спасителя?
В сердце столицы страны третьего мира
Эй, гражданин начальник, как же печально
Видеть державу, погружённую в отчаяние
И тут без понту врачевать нас умными речами
Мы бы охотно пообщались с вами в чате
А пока: кнуты и пряники, погоны с печатями
Рэпчина, за которую готовы отвечать мы
И пока мы не одичали, сторчавшись окончательно
Качаем за своё, так-то, гражданин-начальник

[Припев: Бумбокс, Баста]
Здесь даже солнца не видно, говорят
Здесь нехуй ловить нам, но мы
Мы в собственном ритме
Мутим то, что помогает жить нам
Пропитаны бытом и пылью
Здесь без мазы сказку сделать былью
И время шепчет: «I'll kill you»
Но мы мутим то, что помогает жить нам

[Куплет 2: Баста]
Убиваясь дымом и пуэрчиком в плитках
Так, что даже солнца не видно
Для одних жизнь приторная, для других — пытка
Ты дома спишь сладко, а кто-то едет на крытую
Кто-то мутит визу, чтобы свалить за океан
А кто-то в бегах и уже полжизни там
Кто-то, если чё, сразу бежит к ментам
Но мы тут пока и пытаемся что-то менять
В текстах важен ровный базар
Черту перейти легко, но как потом смотреть людям в глаза?
Плесни, старикан, горькой в стакан
То, что останется после нас, — это наша правда в стихах
Мы не хаваем то, что подают в новостях
И в наших часах кое-что другое вместо песка
А раз так — готовы рисковать
Мы распяты давно и поэтому не боимся креста
Царь ставит своих на места
И такие, как мы с тобой, здесь в роли крепостных крестьян
И ждать рестайлинга не вариант
Либо покорно в стойло, либо ковылять в кандалах
Эй, гражданин-начальник, а корона не жмёт?
Это ложка дёгтя в ваш липовый мёд
Может, я дурак и разобью об эту стену лоб
Но не по мне хавать это фуфло, так-то

[Припев: Бумбокс, Баста]
Здесь даже солнца не видно, говорят
Здесь нехуй ловить нам, но мы
Мы в собственном ритме
Мутим то, что помогает жить нам
Пропитаны бытом и пылью
Здесь без мазы сказку сделать былью
И время шепчет: «I'll kill you»
Но мы мутим то, что помогает жить нам
Здесь даже солнца не видно, говорят
Здесь нехуй ловить нам, но мы
Мы в собственном ритме
Мутим то, что помогает жить нам
Пропитаны бытом и пылью
Здесь без мазы сказку сделать былью
И время шепчет: «I'll kill you»
Но мы мутим то, что помогает жить нам

Tradução em Português

[Intro]
O que vês quando fechas os olhos?
Os teus olhos...

[Refrão: Boombox, Basta]
Aqui nem sequer o sol se consegue ver, dizem eles
Aqui não temos nada a ganhar, mas nós
Nós estamos no nosso próprio ritmo
Fazemos aquilo que nos ajuda a continuar vivos
Empapados de rotina poeirenta e banalidade
Aqui não há hipótese de transformar o conto de fadas em realidade
E o tempo sussurra: «Vou matar-te»
Mas nós fazemos aquilo que nos ajuda a continuar vivos

[Verso 1: Basta]
Aqui nem sequer o sol se consegue ver
E as histórias passam longe de filmes coloridos e felizes
Pó e lama agarrados às botas, e o rapaz
Só se safa com uma réstia de sorte, livrando-se a tempo do flagrante
São poucos os que, se a coisa der para o torto, te cobrem as costas
E a única força consiste em confiar na tua própria força
Para esses cães de farda azul somos apenas gado
E a escolha é curta, ou calar o bico ou morrer
Na tentativa de mudar alguma coisa muita gente desapareceu do mapa
Por sentença do tribunal ou pela mão de um pistoleiro a soldo
Encenações de justiça nos programas televisivos de Lyubimov
É ingénuo julgar que daí virá algum resultado prático
Não se vê saída, nem sequer fui votar
Para eles tanto faz sobre o que juram, se sobre a constituição se sobre a Bíblia
Gritam bem alto sobre a liberdade nos comícios
Olhando para o país como para uma empresa, a calcular o lucro
E que importa quem manda, se Moscovo se Kiev?
Mais vale dizerem como é suposto sobreviver com o salário mínimo
Pelo que é que rezam na catedral do Cristo Salvador?
No coração da capital de um país de terceiro mundo
Ei, senhor comissário, como é doloroso
Ver a nossa pátria mergulhada no desespero
E aqui de nada serve tentar curar-nos com discursos sabidões
Nós teríamos todo o gosto em conversar convosco num chat
Mas por agora a conversa é o chicote e a cenoura, dragonas com carimbos
Um rap autêntico pelo qual estamos prontos a responder
E enquanto não perdemos a razão a afundar-nos na droga de vez
Batemo-nos pelo que é nosso, é assim mesmo, senhor comissário

[Refrão: Boombox, Basta]
Aqui nem sequer o sol se consegue ver, dizem eles
Aqui não temos nada a ganhar, mas nós
Nós estamos no nosso próprio ritmo
Fazemos aquilo que nos ajuda a continuar vivos
Empapados de rotina poeirenta e banalidade
Aqui não há hipótese de transformar o conto de fadas em realidade
E o tempo sussurra: «Vou matar-te»
Mas nós fazemos aquilo que nos ajuda a continuar vivos

[Verso 2: Basta]
A sufocar de fumo e com chá pu-erh em placas prensadas
Tanto que nem sequer o sol se consegue ver
Para uns a vida é doce em demasia, para outros é pura tortura
Tu dormes quentinho na tua cama e alguém vai a caminho da prisão fechada
Há quem ande a desenrascar um visto para fugir para o outro lado do oceano
E há quem ande foragido e já lá tenha passado metade da vida
Há quem, ao mínimo aperto, corra logo para a bófia
Mas nós por enquanto estamos aqui e tentamos mudar alguma coisa
Nas letras das rimas o que conta é a palavra reta e leal
Passar a linha vermelha é fácil, mas como olhar nos olhos das pessoas a seguir?
Verte aí no copo, meu velho, mais um gole de aguardente
O que restará depois de partirmos é a nossa verdade escrita em versos
Nós não engolimos aquilo que nos servem no telejornal
E nas nossas ampulhetas corre outra coisa no lugar da areia
E sendo assim estamos prontos a arriscar
Há muito que fomos crucificados e por isso não tememos a cruz
O czar coloca os seus apaniguados nos cargos
E gente como nós faz aqui o papel de servos da gleba
E esperar que o regime mude de cara não é solução
Ou nos recolhemos ao curral com resignação ou arrastamos os pés com grilhetas
Ei, senhor comissário, a coroa não lhe aperta a cabeça?
Isto é uma gota de fel no vosso mel aldrabado
Posso ser doido varrido e rachar a testa contra esta parede de pedra
Mas engolir esta farsa não é para mim, é assim mesmo

[Refrão: Boombox, Basta]
Aqui nem sequer o sol se consegue ver, dizem eles
Aqui não temos nada a ganhar, mas nós
Nós estamos no nosso próprio ritmo
Fazemos aquilo que nos ajuda a continuar vivos
Empapados de rotina poeirenta e banalidade
Aqui não há hipótese de transformar o conto de fadas em realidade
E o tempo sussurra: «Vou matar-te»
Mas nós fazemos aquilo que nos ajuda a continuar vivos
Aqui nem sequer o sol se consegue ver, dizem eles
Aqui não temos nada a ganhar, mas nós
Nós estamos no nosso próprio ritmo
Fazemos aquilo que nos ajuda a continuar vivos
Empapados de rotina poeirenta e banalidade
Aqui não há hipótese de transformar o conto de fadas em realidade
E o tempo sussurra: «Vou matar-te»
Mas nós fazemos aquilo que nos ajuda a continuar vivos

💡 Interpretação e Contexto Cultural

«Солнца не видно» é um dos manifestos sociopolíticos mais corajosos, crus e contundentes de toda a história do hip-hop pós-soviético. Nascida da colaboração entre Basta e o vocalista ucraniano Andriy Khlyvnyuk (líder da banda Boombox), a canção retrata a profunda desilusão das classes populares perante o cinismo do poder governamental, a brutalidade policial, o abismo das desigualdades socioeconómicas e a farsa da justiça nos tribunais e na comunicação social controlada pelo Estado.

• A Ironia Mordaz do «Cidadão Chefe» («Гражданин начальник»): O termo «гражданин начальник» é a fórmula oficial obrigatória com que os reclusos soviéticos e russos tinham de se dirigir aos guardas prisionais. Basta usa-a em tom de provocação desabrida contra os detentores do poder político e militar («а корона не жмёт?»).
• A Aliança Fraternal Moscovo-Kiev: Gravada numa época em que artistas russos e ucranianos partilhavam palcos e solidariedade social, o verso «плевать, кто решает: Москва или Киев / Лучше скажите, как прожить на прожиточный минимум» unia as populações contra a ganância das elites cleptocratas de ambas as capitais.
• A Metáfora da Servidão Feudal: Basta compara os cidadãos comuns a «servos da gleba» («крепостные крестьяне») sujeitos ao arbítrio de um novo «czar», desafiando a passividade popular com a recusa absoluta de «engolir mentiras transmitidas nas notícias» («не хаваем то, что подают в новостях»).

📚 Lição de Russo

Parte 1: Vocabulário Chave
RussoPronúnciaPortuguêsContexto
маза[máza]oportunidade, hipótese favorável, saída airosa (gíria)Здесь без мазы сказку сделать былью
быдло[býdla]gado, plebe tratada sem dignidade humana, massa submissaДля этих псин в синем мы просто быдло
прожиточный минимум[prazhýtochny mínimum]salário mínimo de subsistênciaЛучше скажите, как прожить на прожиточный минимум
гражданин начальник[grazhdanín nachál'nik]cidadão chefe (tratamento carcerário formal para guardas e agentes)Эй, гражданин начальник, как же печально
крепостной[krepasnóy]servo da gleba, vassalo feudal submetidoИ такие, как мы с тобой, здесь в роли крепостных крестьян
фуфло[fufló]farsa, aldrabice, coisa contrafeita ou sem valorНо не по мне хавать это фуфло, так-то
Parte 2: A Expressão Impessoal de Impossibilidade Coloquial com «Без мазы»
No calão urbano russo, a locução «без мазы» desempenha a função de predicativo impessoal negativo:
- Equivale ao português «não há hipótese», «é em vão» ou «não adianta tentar»;
- Constrói-se diretamente com o infinitivo verbal («без мазы сказку сделать былью»);
- O verso alude e descontrói o famoso lema da aviação soviética: «Мы рождены, чтоб сказку сделать былью» (Nascemos para tornar a fantasia em realidade).

Parte 3: O Uso do Verbo Coloquial «Хавать» na Aceção de Aceitação Passiva («Не хаваем новостей»)
O verbo rude «хавать» (comer sofregamente) assume o valor conotativo de engolir acriticamente narrativas, acreditar em mentiras ou resignar-se perante imposições:
- Exige regência direta com Acusativo ou Genitivo de negação («не хаваем [чего?] то, что подают в новостях»);
- Expressa resistência política e ceticismo feroz face à propaganda oficial.

Parte 4: A Construção Proverbial de Ironia com «Ложка дёгтя в липовый мёд»
A frase subverte o clássico rifão russo «ложка дёгтя в бочке мёда» (uma colher de alcatrão estraga um barril de mel):
- O adjetivo «липовый» adquire aqui duplo sentido: o sentido literal botânico (mel de tília) e o sentido coloquial de falso, simulado ou ilegítimo;
- Representa a denúncia amarga que mancha a fachada de perfeição do poder instituído.

Exercícios Rápidos

Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:

Что исторически означает обращение «гражданин начальник»?

Na gíria das ruas e das prisões russas, o que significa o tratamento «гражданин начальник»?

Associe os termos russos da canção «Солнца не видно» aos respetivos significados em português europeu:

Russo:
быдло
маза
крепостной
фуфло
прожиточный минимум
Português:
gado
hipótese airosa
servo da gleba
farsa
salário mínimo

К какому советскому патриотическому лозунгу отсылает строка «Здесь без мазы сказку сделать былью»?

A que célebre lema histórico da aviação soviética se contrapõe o verso «Здесь без мазы сказку сделать былью»?