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Letra em Russo
Уж сколько их упало в эту бездну
Разверстую вдали!
Настанет день, когда и я исчезну
С поверхности земли
Застынет все, что пело и боролось
Сияло и рвалось, —
И зелень глаз моих, и нежный голос
И золото волос
И будет жизнь с ее насущным хлебом
С забывчивостью дня
И будет все — как будто бы под небом
И не было меня!
Изменчивой, как дети, в каждой мине
И так недолго злой
Любившей час, когда дрова в камине
Становятся золой
Виолончель и кавалькады в чаще
И колокол в селе...
Меня, такой живой и настоящей
На ласковой земле!
К вам всем, что мне, ни в чем не знавшей меры
Чужие и свои
Я обращаюсь с требованьем веры
И с просьбой о любви
За то, что мне — прямая неизбежность —
Прощение обид
За всю мою безудержную нежность
И слишком гордый вид
За быстроту стремительных событий
За правду, за игру...
Послушайте! — Еще меня любите
За то, что я умру
К вам всем, что мне, ни в чем не знавшей меры
Чужие и свои
Я обращаюсь с требованьем веры
И с просьбой о любви
Разверстую вдали!
Настанет день, когда и я исчезну
С поверхности земли
Застынет все, что пело и боролось
Сияло и рвалось, —
И зелень глаз моих, и нежный голос
И золото волос
И будет жизнь с ее насущным хлебом
С забывчивостью дня
И будет все — как будто бы под небом
И не было меня!
Изменчивой, как дети, в каждой мине
И так недолго злой
Любившей час, когда дрова в камине
Становятся золой
Виолончель и кавалькады в чаще
И колокол в селе...
Меня, такой живой и настоящей
На ласковой земле!
К вам всем, что мне, ни в чем не знавшей меры
Чужие и свои
Я обращаюсь с требованьем веры
И с просьбой о любви
За то, что мне — прямая неизбежность —
Прощение обид
За всю мою безудержную нежность
И слишком гордый вид
За быстроту стремительных событий
За правду, за игру...
Послушайте! — Еще меня любите
За то, что я умру
К вам всем, что мне, ни в чем не знавшей меры
Чужие и свои
Я обращаюсь с требованьем веры
И с просьбой о любви
Tradução em Português
Já quantos caíram neste abismo
Aberto ao longe!
Chegará o dia em que também eu desaparecerei
Da superfície da terra
Irá estagnar tudo o que cantava e lutava
Brilhava e ansiava, —
E o verde dos meus olhos, e a voz terna
E o ouro dos cabelos
E haverá a vida com o seu pão de cada dia
Com o esquecimento do dia
E haverá tudo — como se sob o céu
Eu nunca tivesse existido!
Mutável como as crianças, em cada expressão
E por tão pouco tempo zangada
Amando a hora em que a lenha na lareira
Se transforma em cinza
O violoncelo e as cavalgadas na espessura
E o sino na aldeia...
A mim, tão viva e verdadeira
Na terra carinhosa!
A todos vós, que para mim, que não conheci medida em nada
Estranhos e familiares
Eu dirijo-me com uma exigência de fé
E com um pedido de amor
Por ser para mim — uma inevitabilidade direta —
O perdão das ofensas
Por toda a minha ternura desenfreada
E pelo aspeto demasiado orgulhoso
Pela rapidez dos acontecimentos velozes
Pela verdade, pelo jogo...
Escutem! — Amem-me ainda
Pelo facto de eu morrer
A todos vós, que para mim, que não conheci medida em nada
Estranhos e familiares
Eu dirijo-me com uma exigência de fé
E com um pedido de amor
Aberto ao longe!
Chegará o dia em que também eu desaparecerei
Da superfície da terra
Irá estagnar tudo o que cantava e lutava
Brilhava e ansiava, —
E o verde dos meus olhos, e a voz terna
E o ouro dos cabelos
E haverá a vida com o seu pão de cada dia
Com o esquecimento do dia
E haverá tudo — como se sob o céu
Eu nunca tivesse existido!
Mutável como as crianças, em cada expressão
E por tão pouco tempo zangada
Amando a hora em que a lenha na lareira
Se transforma em cinza
O violoncelo e as cavalgadas na espessura
E o sino na aldeia...
A mim, tão viva e verdadeira
Na terra carinhosa!
A todos vós, que para mim, que não conheci medida em nada
Estranhos e familiares
Eu dirijo-me com uma exigência de fé
E com um pedido de amor
Por ser para mim — uma inevitabilidade direta —
O perdão das ofensas
Por toda a minha ternura desenfreada
E pelo aspeto demasiado orgulhoso
Pela rapidez dos acontecimentos velozes
Pela verdade, pelo jogo...
Escutem! — Amem-me ainda
Pelo facto de eu morrer
A todos vós, que para mim, que não conheci medida em nada
Estranhos e familiares
Eu dirijo-me com uma exigência de fé
E com um pedido de amor
💡 Interpretação e Contexto Cultural
O Encontro de Três Géneros e a Imortalidade Poética
• Marina Tsvetaeva: A letra é um poema de 1913 de uma das maiores poetisas da Idade de Prata russa. Escrito quando Tsvetaeva tinha apenas 20 anos, o texto é uma reflexão precoce e profunda sobre a morte, a memória e a essência feminina.
• A Interpretação de Pugacheva: Alla Pugacheva transformou este poema numa das suas obras-primas dramáticas mais intensas. No concerto de 1988, ela interpretava-o com uma vulnerabilidade extrema, despindo-se da imagem de «superestrela» para se apresentar como uma mulher mortal que implora por amor «pelo facto de eu morrer».
• A Estética da Cinza: A imagem da «lenha que se transforma em cinza» (дрова становятся золой) é central na obra de Tsvetaeva e ressoa na vida de Pugacheva: a ideia de que a paixão e a vida ardem intensamente até ao fim, deixando apenas o rastro do que foi verdadeiro.
• Exigência de Fé: A narradora não apenas pede amor, ela «exige fé» (требованьем веры). É um manifesto da artista que entregou tudo ao público e que, em troca, pede para ser lembrada pela sua humanidade contraditória, «mutável como as crianças».
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Бездна | [BYEZ-dna] | Abismo | Substantivo feminino; metaforicamente representa a morte ou o esquecimento infinito. |
| Насущным | [na-SUSH-nym] | De cada dia / Essencial | Adjetivo usado na expressão 'pão de cada dia' (насущный хлеб), referindo-se às necessidades básicas. |
| Изменчивой | [iz-MYEN-chi-vay] | Mutável / Inconstante | Adjetivo que descreve uma personalidade que muda rapidamente, como o humor de uma criança. |
| Зола | [za-LA] | Cinza | Substantivo feminino; o que resta após a combustão da madeira, símbolo de finitude. |
| Безудержную | [bi-ZU-dir-zhnu-yu] | Desenfreada / Incontida | Adjetivo que descreve uma emoção (ternura) que não conhece limites ou controlo. |
| Неизбежность | [ni-iz-BYEZH-nast'] | Inevitabilidade | Substantivo feminino; algo que não se pode evitar, como o destino ou a morte. |
Parte 1: O Futuro de Eventos Inevitáveis (Настанет, Исчезну)
O poema utiliza o futuro do aspeto perfectivo para falar da certeza da morte.• «Настанет день» (Chegará o dia) — do verbo настать (ocorrer/chegar).
• «Я исчезну» (Eu desaparecerei) — do verbo исчезнуть.
• Este tempo verbal indica uma ação única e final no futuro.
Parte 2: Particípios e Adjetivos na Descrição do 'Eu' (Любившей, Живой)
Para descrever a si mesma no passado e no presente, a narradora usa formas declinadas.• «Любившей час» (Amando a hora / Aquela que amou): Particípio passado ativo no genitivo feminino.
• «Меня, такой живой и настоящей» (A mim, tão viva e verdadeira): Adjetivos no caso Genitivo, concordando com o pronome 'меня'.
Parte 3: Construção de Causa com «За то, что»
A expressão За то, что (Pelo facto de / Por) introduz a razão de um pedido ou sentimento.• «Любите [меня] за то, что я умру» (Amem-me pelo facto de eu morrer).
• Esta estrutura liga o verbo de ação (amar) à causa fundamental apresentada na oração subordinada.
Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Что станет с зеленью глаз и нежным голосом героини?
O que acontecerá com o verde dos olhos e a voz terna da heroína?
Faz a correspondência entre os elementos do passado e a sua cor/natureza na música:
Russo:
Дрова
Волосы
Глаза
Português:
Зелень
Золото
Зола
С какой просьбой обращается героиня к людям?
Com que pedido a heroína se dirige às pessoas?
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