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Letra em Russo
Когда простреленный навылет казак оставлял скакуна
В пылу на камень налетела коса разгул унять.
Когда мирянам не хватало слюны проглотить соль молитв
Твой русый волос в хохот ерни Луны стал темней смолы.
В тот год цыганы не гасили костры торопились на юг.
Ножи весною оказались остры проклюнул нюх.
Не удержала в черном теле узда сумасбродную голь.
В тот год без волокит младенца уста запечатал кольт.
Пропетый висельник скользил каланчой по широкой реке.
Округи щерились ордой-саранчой по грудь в грехе.
Земля бессильной самкой слез запаслась, заскулила от ран.
Певец упрятал вычет в омуты глаз, прошагал в Иран.
Ша, дотошный юноша
В пир историй, кто чего стоит, -
Спрашивай у могил.
Нестор резвый, озаглавь срез вый, -
Зрячему помоги.
Где мордует осень,
Бились грудью оземь.
В кровь разбили лица
Думой примириться.
Тешились Колочей
Вытек глаз Керочей.
Где снега раздеты,
В голос воют дети.
Лапти износили
В поисках России.
Душу в клочья рвали,
Выродились в тварей.
Край, где правит ноготь,
Светлым одиноко
Не расправить плечи,
Нерв трубою лечат.
Я и сам помечен
Одичалым смерчем.
В сочных травах, Ольга,
Кто нам крикнул: Горько!
Перес Де Куэльяр...
Перес Де Куэльяр...
Не смог обрезать уши в пепельный звон горемыка-юнец.
Тягучим дегтем поженил голос свой, сгрыз губ пунец.
Где чрево матери вспорол таган свай, копоть смыла слеза.
Там степью утренней хозяина звал сирота-рысак.
День промозглый выспался,
Как тонул в любви босяк
Краем стола лоб рассечен.
Не согреешь голого,
Пальцы стынут оловом
Снял с бедолаг пробу сечень.
В пылу на камень налетела коса разгул унять.
Когда мирянам не хватало слюны проглотить соль молитв
Твой русый волос в хохот ерни Луны стал темней смолы.
В тот год цыганы не гасили костры торопились на юг.
Ножи весною оказались остры проклюнул нюх.
Не удержала в черном теле узда сумасбродную голь.
В тот год без волокит младенца уста запечатал кольт.
Пропетый висельник скользил каланчой по широкой реке.
Округи щерились ордой-саранчой по грудь в грехе.
Земля бессильной самкой слез запаслась, заскулила от ран.
Певец упрятал вычет в омуты глаз, прошагал в Иран.
Ша, дотошный юноша
В пир историй, кто чего стоит, -
Спрашивай у могил.
Нестор резвый, озаглавь срез вый, -
Зрячему помоги.
Где мордует осень,
Бились грудью оземь.
В кровь разбили лица
Думой примириться.
Тешились Колочей
Вытек глаз Керочей.
Где снега раздеты,
В голос воют дети.
Лапти износили
В поисках России.
Душу в клочья рвали,
Выродились в тварей.
Край, где правит ноготь,
Светлым одиноко
Не расправить плечи,
Нерв трубою лечат.
Я и сам помечен
Одичалым смерчем.
В сочных травах, Ольга,
Кто нам крикнул: Горько!
Перес Де Куэльяр...
Перес Де Куэльяр...
Не смог обрезать уши в пепельный звон горемыка-юнец.
Тягучим дегтем поженил голос свой, сгрыз губ пунец.
Где чрево матери вспорол таган свай, копоть смыла слеза.
Там степью утренней хозяина звал сирота-рысак.
День промозглый выспался,
Как тонул в любви босяк
Краем стола лоб рассечен.
Не согреешь голого,
Пальцы стынут оловом
Снял с бедолаг пробу сечень.
Tradução em Português
Когда o cossaco trespassado por uma bala abandonava o seu corcel
No calor do momento, a foice bateu na pedra para travar a pândega.
Когда aos leigos faltava saliva para engolir o sal das orações
O teu cabelo louro, no riso da zombaria da Lua, tornou-se mais escuro que a resina.
Naquele ano os ciganos não apagavam as fogueiras, apressavam-se para o sul.
As facas na primavera revelaram-se afiadas, o faro despertou.
A rédea não segurou em rédea curta a turba insensata.
Naquele ano, sem demoras, o Colt selou os lábios do recém-nascido.
O enforcado cantado deslizava como uma torre de vigia pelo largo rio.
Os arredores mostravam os dentes como uma horda de gafanhotos, mergulhados no pecado.
A terra, como uma fêmea impotente, muniu-se de lágrimas, ganiu devido às feridas.
O cantor escondeu a perda no abismo dos olhos, marchou para o Irão.
Chiu, jovem meticuloso
No banquete das histórias, quem vale o quê, -
Pergunta aos túmulos.
Nestor ávido, titula o corte do pescoço, -
Ajuda aquele que vê.
Onde o outono martiriza,
Batiam com o peito contra o chão.
Esmurraram os rostos até ao sangue
Com o pensamento de se reconciliarem.
Divertiam-se com a Kolotcha
O olho vazou, de facto.
Onde as neves estão despidas,
As crianças uivam em voz alta.
Gastaram as alpercatas de fibra
Em busca da Rússia.
Rasgaram a alma em farrapos,
Degeneraram em feras.
Região onde a unha governa,
Os iluminados sentem-se sós
Sem conseguir abrir os ombros,
Curam o nervo com a trombeta.
Eu próprio estou marcado
Por um redemoinho selvagem.
Nas ervas suculentas, Olga,
Quem nos gritou: Amargo!
Pérez de Cuéllar...
Pérez de Cuéllar...
O jovem infeliz não conseguiu cortar as orelhas ao som cinzento.
Casou a sua voz com alcatrão viscoso, roeu o carmesim dos lábios.
Onde o ventre da mãe foi rasgado pelo suporte das estacas, a lágrima lavou a fuligem.
Ali, pela estepe matinal, o trotador órfão chamava pelo dono.
O dia gélido dormiu o seu sono,
Como um vadio se afogava no amor
A testa foi cortada pela borda da mesa.
Não aquecerás quem está nu,
Os dedos gelam como chumbo
Ele tirou dos desgraçados a prova do açoite.
No calor do momento, a foice bateu na pedra para travar a pândega.
Когда aos leigos faltava saliva para engolir o sal das orações
O teu cabelo louro, no riso da zombaria da Lua, tornou-se mais escuro que a resina.
Naquele ano os ciganos não apagavam as fogueiras, apressavam-se para o sul.
As facas na primavera revelaram-se afiadas, o faro despertou.
A rédea não segurou em rédea curta a turba insensata.
Naquele ano, sem demoras, o Colt selou os lábios do recém-nascido.
O enforcado cantado deslizava como uma torre de vigia pelo largo rio.
Os arredores mostravam os dentes como uma horda de gafanhotos, mergulhados no pecado.
A terra, como uma fêmea impotente, muniu-se de lágrimas, ganiu devido às feridas.
O cantor escondeu a perda no abismo dos olhos, marchou para o Irão.
Chiu, jovem meticuloso
No banquete das histórias, quem vale o quê, -
Pergunta aos túmulos.
Nestor ávido, titula o corte do pescoço, -
Ajuda aquele que vê.
Onde o outono martiriza,
Batiam com o peito contra o chão.
Esmurraram os rostos até ao sangue
Com o pensamento de se reconciliarem.
Divertiam-se com a Kolotcha
O olho vazou, de facto.
Onde as neves estão despidas,
As crianças uivam em voz alta.
Gastaram as alpercatas de fibra
Em busca da Rússia.
Rasgaram a alma em farrapos,
Degeneraram em feras.
Região onde a unha governa,
Os iluminados sentem-se sós
Sem conseguir abrir os ombros,
Curam o nervo com a trombeta.
Eu próprio estou marcado
Por um redemoinho selvagem.
Nas ervas suculentas, Olga,
Quem nos gritou: Amargo!
Pérez de Cuéllar...
Pérez de Cuéllar...
O jovem infeliz não conseguiu cortar as orelhas ao som cinzento.
Casou a sua voz com alcatrão viscoso, roeu o carmesim dos lábios.
Onde o ventre da mãe foi rasgado pelo suporte das estacas, a lágrima lavou a fuligem.
Ali, pela estepe matinal, o trotador órfão chamava pelo dono.
O dia gélido dormiu o seu sono,
Como um vadio se afogava no amor
A testa foi cortada pela borda da mesa.
Não aquecerás quem está nu,
Os dedos gelam como chumbo
Ele tirou dos desgraçados a prova do açoite.
💡 Interpretação e Contexto Cultural
Épica Russa, Tragédia Histórica e o Arcaísmo de Revyakin
• Cossacos e a Revolta: A figura do cossaco («Казак») baleado abre uma narrativa de violência e caos social, recorrente na história russa. A «foice que bate na pedra» («нашла коса на камень») é um provérbio russo que descreve o embate entre duas forças igualmente teimosas e inflexíveis.
• Nestor, o Cronista: A menção a «Nestor» («Нестор резвый») refere-se a Nestor, o Cronista, o monge tradicionalmente creditado pela escrita da «Crónica Primária» russa. Revyakin pede-lhe que registre o horror presente, unindo o passado medieval ao colapso contemporâneo.
• Pérez de Cuéllar: A repetição do nome de Javier Pérez de Cuéllar (Secretário-Geral da ONU nos anos 80) insere um elemento surrealista e político de época, contrastando a diplomacia internacional com a crueza da violência nas estepes («lábios selados pelo Colt»).
• Busca pela Rússia: O verso «Gastaram as alpercatas em busca da Rússia» («Лапти износили в поисках России») simboliza a eterna busca espiritual e geográfica por uma pátria que parece sempre fugidia ou em ruínas, marcada pelo sofrimento e pela degradação («degeneraram em feras»).
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Навылет | [Na-VY-lit] | De parte a parte / Atravessando | Advérbio usado para descrever um ferimento de bala que entra e sai do corpo. |
| Разгул | [Raz-GUL] | Pândega / Desmando | Substantivo masculino; refere-se a uma folia desenfreada ou ao caos de uma revolta. |
| Голь | [Gol'] | Turba / Miseráveis | Substantivo feminino coletivo para pessoas extremamente pobres e desesperadas. |
| Каланча | [Ka-lan-CHA] | Torre de vigia | Substantivo feminino; termo antigo para torres de observação de incêndios ou sentinelas. |
| Оземь | [O-zim'] | Contra o chão | Advérbio que descreve uma queda violenta ou o ato de se atirar ao solo. |
| Лапти | [LAP-ti] | Alpercatas de fibra | Calçado tradicional camponês russo feito de casca de tília ou bétula. |
Parte 2: Expressões Idiomáticas e Provérbios
A letra utiliza o provérbio нашла коса на камень (literalmente: a foice encontrou a pedra).• É usado quando duas vontades fortes colidem e nenhuma cede.
• A expressão держать в чёрном теле (literalmente: manter num corpo preto) significa tratar alguém com extrema severidade ou manter em rédea curta.
Parte 3: O Caso Instrumental de Modo e Comparação
O autor utiliza o Caso Instrumental para criar imagens visuais de movimento e estado:• Скользил каланчой (Deslizava como uma torre).
• Щерились ордой-саранчой (Mostravam os dentes como uma horda de gafanhotos).
• Пальцы стынут оловом (Os dedos gelam como chumbo/estanho).
Nestes casos, o substantivo no Instrumental atua como uma metáfora direta do modo como a ação ocorre.Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Что запечатало уста младенца в песне?
O que selou os lábios do recém-nascido na música?
Faz a correspondência entre as imagens e os seus significados:
Russo:
Олово
Саранча
Лапти
Português:
Busca da Rússia
Arredores mergulhados no pecado
Dedos que gelam
К какому хронисту обращается автор?
A que cronista se dirige o autor?
🎵 Outras Músicas de "Руда"
1
Праздники прошли
Prazdniki proshli
Os feriados passaram
2
Милая моя (Santimento)
Milaya moya (Santimento)
Minha querida (Santimento)
3
Брату
Bratu
Ao Irmão
4
Ловушка
Lovushka
Armadilha
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Страдания
Stradaniya
Sofrimentos
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Самим собой
Samim soboy
A ser eu próprio
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Отношения
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Relações
8
Кто я?
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9
Красные собаки
Krasnyye sobaki
Cães Vermelhos
10
Гой
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Goy
11
Дикарь
Dikary
Selvagem
