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Я боюсь

Ya boyus

Eu tenho medo

Álbum: Партизан
Compositor: Husky
Letrista: Husky
Arranjador: Husky

Letra em Russo

[Интро: Нина Исакова]
Мой гений, мой ангел, мой друг
Мой гений, мой ангел, мой друг
Я боюсь, я боюсь, эй

[Куплет: Хаски]
Я боюсь проснуться в объёбе, бултыхаясь в стыду, как в бассейне
Я боюсь также трезвости, серой пустыни, где нет и не будет спасенья
Я боюсь испариться, как капля воды, что шипит, пузырясь на конфорке
Я боюсь увидеть в зеркале рыхлую мразь, что навеки увязла в комфорте
Я боюсь воевать, повредиться умом, как один мой покойный товарищ
Я боюсь гуманистов, во имя себя убежавших от войн и пожарищ
Я боюсь, что немодно сознанье моё, некрасиво оно и пещерно
Я боюсь за Россию, боюсь без неё, потому что Россия — священна
Я боюсь, что Алина вдруг встретит кого-то, кому не гожусь я в подмётки
Я боюсь перспективы всю жизнь обнимать одну задницу, будто колготки
Хоть при мысли, что каждой я не угощусь, малодушная жрёт голодуха
Я боюсь изменять, потому что боюсь жить без Бога, как подлая муха
Я боюсь, что решат меня похоронить под казённою абракадаброй
Я боюсь, что детей не смогу прокормить я мазней своей аляповатой
Я боюсь, что по росчерку чьей-то руки меня выведут с лаем из строя
Я боюсь стать удобным для этой руки, как пиджак итальянского кроя
Я боюсь нищеты, помню мамины слёзы, горчащие в супе
Я боюсь стать прислугою детской мечты о достатке, как многие-многие люди
Я боюсь быть немодным, как амулеты вчерашнего мага
И мне жутко от моды: мода пахнет туалетами универмага
Я боюсь быть непонятым, словно в затопленной дымом комнате танец калеки
До рвоты боюсь быть съедобным для всех, как мелодия на дискотеке
Я боюсь правоты тех, кто судит меня: «Он уже ничего не напишет»
Я боюсь, что и гроб, куда сунут меня, будет этою строчкою вышит
Я боюсь за детей, я б отдал полсебя, чтоб беда не солила глаза им
Но, боюсь, неминуема чаша сия: сам я бедам своим не хозяин
Я люблю эту жизнь, но боюсь жить её, я закрыт, как тугая щеколда
Я боюсь, я боюсь, но, боюсь, бытиё — это страха сплошная щекотка
Я боюсь, что таланта уздцы проморгал, и увязли мы с ним в буераке
Я боюсь, что бездарные песни слагал, будто раки немые в овраге
Я боюсь, что забыла толпа про меня, непристойно пусть это и хамски
Я боюсь за кулисами нового дня не услышать нестройное: «Хаски»

[Аутро: Нина Исакова]
Хаски! Хаски! Хаски!
Мой гений, мой ангел, мой друг
Мой гений, мой ангел, мой друг

Tradução em Português

[Intro: Nina Isakova]
O meu génio, o meu anjo, o meu amigo
O meu génio, o meu anjo, o meu amigo
Eu tenho medo, eu tenho medo, ei

[Verso: Husky]
Tenho medo de acordar «na moca» [engano/pedra], a chapinhar na vergonha, como numa piscina
Tenho medo também da sobriedade, deserto cinzento, onde não há nem haverá salvação
Tenho medo de evaporar, como uma gota de água que sibila, borbulhando no bico do fogão
Tenho medo de ver no espelho uma escória flácida, que se atolou para sempre no conforto
Tenho medo de combater, de ficar demente, como um camarada meu falecido
Tenho medo dos humanistas, que em nome de si mesmos fugiram das guerras e dos incêndios
Tenho medo que a minha consciência não esteja na moda, que seja feia e cavernosa
Tenho medo pela Rússia, tenho medo [de ficar] sem ela, porque a Rússia é sagrada
Tenho medo que a Alina encontre de repente alguém, a cujos pés eu não chegue
Tenho medo da perspetiva de abraçar a vida toda um só rabo, como uns collants
Embora, com o pensamento de que não me servirei de todas, uma fome cobarde me devore
Tenho medo de trair, porque tenho medo de viver sem Deus, como uma mosca vil
Tenho medo que decidam enterrar-me sob uma abracadabra burocrática
Tenho medo de não conseguir alimentar os filhos com a minha borradela [arte] grosseira
Tenho medo que, pelo rabisco da mão de alguém, me tirem de serviço com latidos
Tenho medo de me tornar conveniente para essa mão, como um casaco de corte italiano
Tenho medo da miséria, lembro-me das lágrimas da mãe, a amargar na sopa
Tenho medo de me tornar um servo do sonho infantil de riqueza, como muitas, muitas pessoas
Tenho medo de não estar na moda, como os amuletos de um mago de ontem
E tenho horror à moda: a moda cheira a casas de banho de centro comercial
Tenho medo de ser incompreendido, tal como a dança de um aleijado num quarto inundado de fumo
Até ao vómito, tenho medo de ser comestível para todos, como uma melodia na discoteca
Tenho medo da razão daqueles que me julgam: «Ele já não vai escrever nada»
Tenho medo que até o caixão, onde me enfiarem, seja bordado com esta linha [verso]
Tenho medo pelos filhos, eu daria metade de mim, para que a desgraça não lhes salgasse os olhos
Mas, temo, este cálice é inevitável: eu próprio não sou dono das minhas desgraças
Eu amo esta vida, mas tenho medo de a viver, estou fechado, como um trinco apertado
Eu tenho medo, eu tenho medo, mas, receio, a existência — é uma cócega contínua do medo
Tenho medo de ter deixado escapar as rédeas do talento, e de termos atolado numa ravina
Tenho medo de ter composto canções sem talento, como lagostins mudos num barranco
Tenho medo que a multidão se tenha esquecido de mim, ainda que isso seja indecente e grosseiro
Tenho medo de, nos bastidores de um novo dia, não ouvir um dissonante: «Husky»

[Outro: Nina Isakova]
Husky! Husky! Husky!
O meu génio, o meu anjo, o meu amigo
O meu génio, o meu anjo, o meu amigo

💡 Interpretação e Contexto Cultural

A Sacralidade e o Medo Existencial
«Ya boyus» (Eu tenho medo) é a faixa de abertura do álbum «Partisan» e serve como um manifesto de vulnerabilidade num álbum marcado pela dureza.

Tchaikovsky e Fet: O refrão lírico («O meu génio, o meu anjo, o meu amigo») é uma citação direta de um romance clássico de P.I. Tchaikovsky baseado num poema de Afanasy Fet. Husky usa esta amostra de ópera (cantada por Nina Isakova) para criar um contraste irónico com o seu rap agressivo sobre vómito, miséria e medo. É o choque entre a Rússia Imperial idealizada e a Rússia moderna crua.

A Rússia Sagrada: A frase «Tenho medo pela Rússia... porque a Rússia é sagrada» reflete a complexa relação do artista com a pátria. Não é um patriotismo cego, mas uma ligação espiritual e dolorosa. Para Husky, a Rússia é um espaço metafísico de sofrimento e redenção, sem o qual ele perde a identidade.

Não chego aos pés (Podmyotki): A referência a «Alina» (a sua esposa, Alina Nasibullina) usa a expressão idiomática «Não sirvo para as solas» (Не гожусь в подмётки), equivalente a "Não lhe chego aos calcanhares".

📚 Lição de Russo

Parte 1: Vocabulário Chave
RussoPronúnciaPortuguêsContexto
Стыд[Styd]VergonhaSubstantivo masculino.
Спасение[Spa-SYE-ni-ye]SalvaçãoSubstantivo neutro.
Зеркало[ZYER-ka-la]EspelhoSubstantivo neutro.
Нищета[Ni-shchi-TA]Miséria / Pobreza extremaSubstantivo feminino.
Удобный[U-DOB-nyy]Conveniente / ConfortávelNo texto: alguém que não causa problemas, conformista.
Толпа[Tal-PA]MultidãoSubstantivo feminino.

Parte 2: Verbo «Boyat'sya» (Ter medo)
O verbo reflexivo Бояться (Ter medo) rege o Caso Genitivo quando se teme algo/alguém.
• Eu tenho medo da sobriedade: Я боюсь трезвости (Genitivo).
• Eu tenho medo da miséria: Я боюсь нищеты (Genitivo).
• Quando seguido de verbo, usa-se o Infinitivo: Я боюсь проснуться (Tenho medo de acordar).

Parte 3: Instrumental de Transformação (Tornar-se...)
Com o verbo Стать (Tornar-se), o que nos tornamos fica no Caso Instrumental.
• Tornar-se conveniente: Стать удобным.
• Tornar-se servo/criado: Стать прислугою (Forma poética de Instrumental Feminino).

Exercícios Rápidos

Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:

Что для автора Россия?

O que é a Rússia para o autor nesta música?

Liga os medos aos seus objetos na letra:

Russo:
Мода
Нищета
Быть удобным
Português:
Lágrimas na sopa
Casaco italiano
Cheiro a casa de banho

Кого боится потерять герой?

Quem é que o herói tem medo de perder (a mulher)?