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Letra em Russo
[Куплет]
Я хожу по свету шатуном
За то, что вы прервали мой метафизический сон
Я вас с вагона уходящей жизни кину в ничто
Ваш Бог — неумный ревизор, а мой — бездушное зло
Черпай мыслишки ковшом из книжек жалких писак
Подстерегу вас за углом, в моих ручищах тесак
Ведь человек — это вопрос, и чтоб его разгадать
Я просто вынужден кромсать, кромсать и вас убивать
Мой милый друг, не дрожите так от стали ножа
Мне просто надо посмотреть, куда стекает душа
Другие тошно визжат, но вы, гляжу, поскромней
Для шатуна глаза людей — парад потухших огней
Лениво дёрнется червь в моей утробе мясной
Опять шевелится смерть кровоточащей десной
Сочится жизнь холодным потом или тёплой мочой
Лучше любых духов для дамы её трупная вонь
Я с детства так любил смотреть, как по деревне несут
В открытых гробиках трупиков, и чинил самосуд
Над постояльцами двора, распяв на ветках кота
Я всё никак не понимал, как это так, в «никуда»?
Рвётся струна бытия, стало быть, так же и я
Могу сорваться в этот омут, где ни стенок, ни дна
Здравствуй, измена и страх, я заперт в погребе грёз
Мы все как «вещи в себе», да только наоборот
Слюнявый порванный рот, скорей бы вечная ночь
Что с липкой ленты муха взмоет, лишь порвав свою плоть
Ей надо в этом помочь, и я пришёл с топором
Может быть, в этот момент стою за вашим окном
Ты просто гусеница, гроб как кокон, стань махаон
Змеилась улица людьми, и твой отец с похорон
Пришёл какой-то не такой, и пока мать в гастроном
Сынишке на лицо подушку — и он стал шатуном
Я хожу по свету шатуном
За то, что вы прервали мой метафизический сон
Я вас с вагона уходящей жизни кину в ничто
Ваш Бог — неумный ревизор, а мой — бездушное зло
Черпай мыслишки ковшом из книжек жалких писак
Подстерегу вас за углом, в моих ручищах тесак
Ведь человек — это вопрос, и чтоб его разгадать
Я просто вынужден кромсать, кромсать и вас убивать
Мой милый друг, не дрожите так от стали ножа
Мне просто надо посмотреть, куда стекает душа
Другие тошно визжат, но вы, гляжу, поскромней
Для шатуна глаза людей — парад потухших огней
Лениво дёрнется червь в моей утробе мясной
Опять шевелится смерть кровоточащей десной
Сочится жизнь холодным потом или тёплой мочой
Лучше любых духов для дамы её трупная вонь
Я с детства так любил смотреть, как по деревне несут
В открытых гробиках трупиков, и чинил самосуд
Над постояльцами двора, распяв на ветках кота
Я всё никак не понимал, как это так, в «никуда»?
Рвётся струна бытия, стало быть, так же и я
Могу сорваться в этот омут, где ни стенок, ни дна
Здравствуй, измена и страх, я заперт в погребе грёз
Мы все как «вещи в себе», да только наоборот
Слюнявый порванный рот, скорей бы вечная ночь
Что с липкой ленты муха взмоет, лишь порвав свою плоть
Ей надо в этом помочь, и я пришёл с топором
Может быть, в этот момент стою за вашим окном
Ты просто гусеница, гроб как кокон, стань махаон
Змеилась улица людьми, и твой отец с похорон
Пришёл какой-то не такой, и пока мать в гастроном
Сынишке на лицо подушку — и он стал шатуном
Tradução em Português
[Verso]
Ando pelo mundo como um errante (shatun)
Por terem interrompido o meu sono metafísico
Vou lançar-vos do vagão da vida que parte para o nada
O vosso Deus é um revisor tonto, o meu é o mal sem alma
Colhe ideiazitas com uma concha de livros de escritores medíocres
Esperarei por vocês na esquina, nas minhas mãos grandes um facalhão
Pois o homem é uma pergunta, e para a decifrar
Sou simplesmente obrigado a retalhar, retalhar e matar-vos
Meu querido amigo, não trema assim perante o aço da faca
Eu só preciso de ver para onde escorre a alma
Outros gritam de forma nauseante, mas vejo que o senhor é mais discreto
Para um errante, os olhos das pessoas são um desfile de luzes apagadas
Preguiçosamente sacode-se o verme no meu ventre carnal
De novo mexe-se a morte com a gengiva sangrenta
A vida escorre em suor frio ou urina morna
Melhor que qualquer perfume para uma dama é o seu fedor cadavérico
Desde criança adorava ver como levavam pela aldeia
Em caixõezinhos abertos os corpinhos, e fazia justiça por mãos próprias
Sobre os habitantes do quintal, crucificando um gato nos ramos
Eu nunca conseguia entender, como é que era assim, para o 'lugar nenhum'?
Rompe-se a corda do ser, pelos vistos, eu também
Posso cair neste abismo, onde não há paredes nem fundo
Olá, traição e medo, estou trancado na cave dos sonhos
Somos todos como 'coisas em si', mas ao contrário
Boca babada e rasgada, quem dera que viesse a noite eterna
Para que a mosca voe da fita adesiva apenas rasgando a própria carne
É preciso ajudá-la nisso, e eu vim com um machado
Talvez, neste momento, esteja atrás da vossa janela
És apenas uma lagarta, o caixão é o casulo, torna-te uma borboleta monarca
A rua serpenteava de gente, e o teu pai, vindo de um funeral
Chegou de uma maneira estranha e, enquanto a mãe ia à mercearia
Pôs a almofada no rosto do filhinho — e ele tornou-se um errante
Ando pelo mundo como um errante (shatun)
Por terem interrompido o meu sono metafísico
Vou lançar-vos do vagão da vida que parte para o nada
O vosso Deus é um revisor tonto, o meu é o mal sem alma
Colhe ideiazitas com uma concha de livros de escritores medíocres
Esperarei por vocês na esquina, nas minhas mãos grandes um facalhão
Pois o homem é uma pergunta, e para a decifrar
Sou simplesmente obrigado a retalhar, retalhar e matar-vos
Meu querido amigo, não trema assim perante o aço da faca
Eu só preciso de ver para onde escorre a alma
Outros gritam de forma nauseante, mas vejo que o senhor é mais discreto
Para um errante, os olhos das pessoas são um desfile de luzes apagadas
Preguiçosamente sacode-se o verme no meu ventre carnal
De novo mexe-se a morte com a gengiva sangrenta
A vida escorre em suor frio ou urina morna
Melhor que qualquer perfume para uma dama é o seu fedor cadavérico
Desde criança adorava ver como levavam pela aldeia
Em caixõezinhos abertos os corpinhos, e fazia justiça por mãos próprias
Sobre os habitantes do quintal, crucificando um gato nos ramos
Eu nunca conseguia entender, como é que era assim, para o 'lugar nenhum'?
Rompe-se a corda do ser, pelos vistos, eu também
Posso cair neste abismo, onde não há paredes nem fundo
Olá, traição e medo, estou trancado na cave dos sonhos
Somos todos como 'coisas em si', mas ao contrário
Boca babada e rasgada, quem dera que viesse a noite eterna
Para que a mosca voe da fita adesiva apenas rasgando a própria carne
É preciso ajudá-la nisso, e eu vim com um machado
Talvez, neste momento, esteja atrás da vossa janela
És apenas uma lagarta, o caixão é o casulo, torna-te uma borboleta monarca
A rua serpenteava de gente, e o teu pai, vindo de um funeral
Chegou de uma maneira estranha e, enquanto a mãe ia à mercearia
Pôs a almofada no rosto do filhinho — e ele tornou-se um errante
💡 Interpretação e Contexto Cultural
Metafísica do Horror e Yuri Mamleev
Esta canção é uma exploração lírica do romance 'Shatuny' (Os Errantes), de Yuri Mamleev, uma obra que fundou o 'realismo metafísico'.
Esta canção é uma exploração lírica do romance 'Shatuny' (Os Errantes), de Yuri Mamleev, uma obra que fundou o 'realismo metafísico'.
• Shatun (Шатун): No sentido literal, é um urso que não hibernou e vaga perigosamente pela floresta. Na filosofia de Mamleev e Slava, são seres que ultrapassaram os limites da moral humana para explorar o que há além da morte ('o nada').
• Veshch v sebe (Вещь в себе): Referência ao conceito kantiano de 'Coisa em si' (Ding an sich). Slava inverte a ideia: se para Kant a essência é inacessível, para os 'errantes' a essência humana só se revela através da violação física e do horror.
• Infância e Morte: A letra descreve uma obsessão infantil com funerais rurais e rituais macabros, refletindo a ideia de que a 'monstruosidade' metafísica nasce de um trauma ou de um despertar violento (como a cena final da almofada).
• A Mosca na Fita Adesiva: Uma metáfora poderosa para a alma presa ao corpo e à existência material. A libertação (morte) só é possível através da dor extrema e da destruição da carne.
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Шатун | [Sha-TUN] | Errante / Vagabundo perigoso | Originalmente um urso que não dorme no inverno; aqui, um buscador metafísico violento. |
| Тесак | [Ti-SAK] | Facalhão / Cutelo | Substantivo masculino. Uma arma branca pesada usada para retalhar. |
| Кромсать | [Kram-SAT'] | Retalhar / Esquartejar | Verbo que indica o ato de cortar algo em pedaços de forma bruta. |
| Утроба | [U-TRO-ba] | Ventre / Útero | Substantivo feminino. Frequentemente usado em contextos anatómicos ou viscerais. |
| Самосуд | [Sa-ma-SUT] | Justiça pelas próprias mãos / Linchamento | Ato de julgar e punir sem intervenção legal. |
| Махаон | [Ma-kha-ON] | Borboleta-monarca / Rabo-de-andorinha | Metáfora para a alma que se liberta do 'casulo' (o caixão). |
Parte 2: Aumentativos e Diminutivos Expressivos (Мыслишки, Ручищах)
Slava utiliza sufixos para alterar o peso das palavras.• Мыслишки (-ишки): Diminutivo pejorativo de 'мысли' (pensamentos), sugerindo que as ideias dos escritores são medíocres.
• Ручищах (-ищ): Aumentativo de 'руки' (mãos), conferindo um aspeto monstruoso e poderoso ao assassino.
Parte 3: O Uso do Particípio Presente (Уходящей, Кровоточащей)
• Уходящей (Que parte/vai-se embora): Do verbo 'уходить', descreve a vida como um comboio que o narrador abandona.
• Кровоточащей (Sangrenta/Que sangra): Do verbo 'кровоточить', descreve a morte de forma física e biológica.
Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Кем становится мальчик в конце песни?
Em que se torna o menino no fim da canção?
Associa as metáforas aos seus significados na música:
Russo:
Гроб
Тесак
Муха
Português:
Кокон (Casulo)
Душа (Alma presa)
Инструмент познания (Instrumento de conhecimento)
Что, согласно песне, лучше любых духов для дамы?
O que, segundo a canção, é melhor que qualquer perfume para uma dama?
🎵 Outras Músicas de "Солнце мёртвых"
1
Соечка
Soyechka
O Gaiozinho
2
Мышка-норушка
Myshka-norushka
Ratinho do Campo
3
Смерти и вина
Smerti i vina
De morte e de vinho
4
Солнце мёртвых
Sun of the Dead
O Sol dos Mortos
5
В замогильной стороне
V zamogilnoy storone
Do Lado de Além-Túmulo
7
Пусть
Pust
Que assim seja
8
Следы на снегу
Sledy na snegu
Pegadas na Neve
9
Опять надо жить
Opyat nado zhit
De Novo É Preciso Viver
10
Волки да вороны
Volki da vorony
Lobos e Corvos
