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Рваньё

Rags

Trapos

Álbum: Зверь без нации
Compositor: Loqiemean
Letrista: Loqiemean
Arranjador: Loqiemean

Letra em Russo

[Интро]
Хей-хей, хей-хей (Хей, хей, хей, хей, хей, хей, хей, хей)
Порву Москву за пролетарскую тоску (Йе)

[Припев]
На коже выжжено клеймо
Набожный брызжет нам вином
Лакай же (Хей), нижний эшелон (Эй)
Латай, шей (Эй) вышивкой рваньё, хы
Моё рванье, моё рваньё, эй-эй
Моё рваньё
Хей, хей, хей, хей

[Куплет]
Сутулый кулак под низким небом (Что?)
Задумал купать этим виски вены
За год никуда без визы — бедный
Зато под тулупом плодятся нервы
О, чёрт, мой батальон (Эй-эй)
Что не взять пером — возьмём огнём
Босиком на лёд, эта вьюга гнёт
Нас не взял под крыло двуглавый орёл, нет-нет (Нет)
Мы для них негры в своей же стране
Что (Йе) словно с колен не вставали весь век
17-й год поделил всех на тех (Йе)
Кто съехал на Запад иль сослан в Сибирь
Не суди по себе, но я сплав из Афин
Сад изобилия всех их седин
Поставленных в ряд у стены на цепи
Ты боишься гильотин? Приходи, сын, поглядим
Это ирония
Тебя посадят на перо и яд
Ты (Да) не в праве выбирать
Тебя посадят на ГУЛАГ, дав тебе понять
Как упоительны в России лагеря
Хей, хей, хе-хей
И я стекал по витринам
Забыл напрочь Фемиду
Причитал на стариков, покуда труп не увидел
Слепая, помоги, нам всё стрельба по могилам
Я несу блюдо. Секрет в чём, брат?
Я не ссу кидать свой пучок прав (А)
Сочный завтрак трём толстякам (Хы)
Срочный цианид, засекай (Йе)
Когда на кишках последнего попа повесят последнего царя
Погляди на сводку в газетах с утра
Зуб даю, там будет улыбаться Сибиряк (Хы)

[Припев]
На коже выжжено клеймо
Набожный брызжет нам вином
Лакай же (Эй), нижний (Эй) эшелон
Латай, шей (Эй) вышивкой рваньё, хы
Моё рваньё, моё рваньё, эй-эй
Моё рваньё
Хей-хей, хей-хей (Хей, хей, хей, хей)
Порву Москву за пролетарскую тоску (Йе)
Моё рваньё, моё рваньё, хей, йо, хей (Хей, хей, хей, хей)
Порву Москву за пролетарскую тоску (Йе)
Моё рваньё, моё рваньё, хей, йо, хей (Хей, хей, хей, хей)
Порву Москву за пролетарскую тоску (Йе)
Моё рваньё, моё рванье, хей (Хей, хей, хей, хей, хей)
Порву Москву за пролетарскую тоску (Йе)
Моё рваньё, моё рваньё (Хей, хей, хей, хей)
Порву Мос—, порву Мос—
Порву Москву за пролетарскую тоску

Tradução em Português

[Intro]
Hei-hei, hei-hei (Hei, hei, hei, hei, hei, hei, hei, hei)
Vou rasgar Moscovo pela melancolia proletária (Ye)

[Refrão]
Na pele gravada a ferro a marca
O devoto espirra-nos vinho
Lambei lá (Hei), escalão inferior (Ei)
Remenda, coze (Ei) os trapos a bordar, heh
Os meus trapos, os meus trapos, ei-ei
Os meus trapos
Hei, hei, hei, hei

[Verso]
Um punho curvado sob um céu baixo (O quê?)
Pensou em mergulhar as veias neste whisky
Durante um ano, a lado nenhum sem visto, pobre
Mas pelo menos debaixo do casaco de pele multiplicam-se os nervos
Ó, raios, o meu batalhão (Ei-ei)
O que não se tomar pela pena, tomar-se-á pelo fogo
Descalço no gelo, esta ventania dobra-nos
A águia bicéfala não nos tomou debaixo da sua asa, não (Não)
Somos para eles negros no nosso próprio país
Como (Ye) se não nos tivéssemos levantado dos joelhos ao longo de todo o século
O ano de 17 dividiu toda a gente entre aqueles (Ye)
Que fugiram para o Ocidente ou foram deportados para a Sibéria
Não me julgues por ti, mas eu sou um amálgama de Atenas
O jardim da abundância de todas as suas canas brancas
Colocadas em fila junto à parede, acorrentadas
Tens medo das guilhotinas? Vem cá, filho, veremos
Isso é ironia
Vão meter-te no espeto e no veneno
Tu (Sim) não tens o direito de escolher
Vão meter-te no GULAG, fazendo-te perceber
Quão embriagantes são os campos na Rússia
Hei, hei, hei-hei
E eu escorria pelas montras
Esqueci completamente Témis
Lamentava-me sobre os velhos, até ver um cadáver
Cega, ajuda-nos, para nós é tudo tiro sobre campas
Eu sirvo o prato. Qual é o segredo, irmão?
Não me coibo de atirar o meu feixe de direitos (Ah)
Um pequeno-almoço suculento para os três gordos (Heh)
Cianeto urgente, conta o tempo (Ye)
Quando pendurem o último czar nas tripas do último padre
Olha para o resumo nos jornais de manhã
Apostava que lá estará a sorrir o Siberiano (Heh)

[Refrão]
Na pele gravada a ferro a marca
O devoto espirra-nos vinho
Lambei lá (Ei), escalão (Ei) inferior
Remenda, coze (Ei) os trapos a bordar, heh
Os meus trapos, os meus trapos, ei-ei
Os meus trapos
Hei-hei, hei-hei (Hei, hei, hei, hei)
Vou rasgar Moscovo pela melancolia proletária (Ye)
Os meus trapos, os meus trapos, hei, yo, hei (Hei, hei, hei, hei)
Vou rasgar Moscovo pela melancolia proletária (Ye)
Os meus trapos, os meus trapos, hei, yo, hei (Hei, hei, hei, hei)
Vou rasgar Moscovo pela melancolia proletária (Ye)
Os meus trapos, os meus trapos, hei (Hei, hei, hei, hei, hei)
Vou rasgar Moscovo pela melancolia proletária (Ye)
Os meus trapos, os meus trapos (Hei, hei, hei, hei)
Vou rasg— Mosc—, vou rasg— Mosc—
Vou rasgar Moscovo pela melancolia proletária

💡 Interpretação e Contexto Cultural

Рваньё: A Hipérbole Revolucionária e a Sátira Política Siberiana
A segunda faixa de «Зверь без нации» é a mais explicitamente política do álbum. Em entrevista ao canal Blaze {На Диване}, Loqiemean explicou que tem uma posição política clara, tanto em geral como em relação à situação no país, e que o desafio é transmiti-la às massas sem consequências. «Рваньё» é a sua resposta a esse desafio: usar a hipérbole, a ironia e a referência histórica para falar directamente sem falar directamente.

«Клеймо» e «Рваньё»: O título e o refrão constroem uma metáfora têxtil da classe: «рваньё» são os trapos, o tecido rasgado e remendado, a roupa do pobre. «Клеймо» (marca a ferro, estigma) é a marca que identifica e degrada. Juntos, formam o retrato do «нижний эшелон» (escalão inferior), os de baixo que são marcados e vestidos de trapos enquanto o devoto lhes espirra vinho.

«17-й год»: O ano de 1917 é o centro histórico da canção. A Revolução Russa de 1917 dividiu o país entre os que fugiram para o Ocidente (emigração branca) e os que ficaram ou foram deportados para a Sibéria. Para Loqiemean, siberiano, esta divisão ainda é sentida: a Sibéria foi historicamente o destino dos deportados, dos indesejáveis, dos que sobrou da história.

«Трём толстякам»: «Три толстяка» (Os Três Gordos) é o título do romance de Yuri Olesha (1924), uma fábula política sobre a revolução dos pobres contra os ricos opressores. «Сочный завтрак трём толстякам» = um pequeno-almoço suculento para os três gordos, uma alusão directa ao romance como metáfora da oligarquia.

«Когда на кишках последнего попа повесят последнего царя»: A frase mais explosiva da canção é uma paráfrase de uma citação atribuída ao filósofo iluminista Denis Diderot: «A humanidade não será livre enquanto não enforcar o último rei nas tripas do último padre». A transposição para o contexto russo, substituindo «rei» por «царя» e mantendo «попа» (padre ortodoxo), é a síntese da crítica política da canção: a aliança entre o poder temporal e a Igreja como estrutura de opressão que só o Siberiano, na margem, consegue ver claramente.

«Двуглавый орёл»: A águia bicéfala é o símbolo heráldico da Rússia desde o século XV. «Нас не взял под крыло двуглавый орёл» = a águia bicéfala não nos tomou debaixo da sua asa: a Rússia imperial e estatal nunca protegeu os seus filhos da Sibéria.

📚 Lição de Russo

Parte 1: Vocabulário Chave
RussoPronúnciaPortuguêsContexto
Клеймо[kley-MO]Marca a ferro / EstigmaSubstantivo neutro. A marca queimada na pele ou noutra superfície para identificar ou degradar. «На коже выжжено клеймо» = na pele gravada a ferro a marca. Por extensão: o estigma social, a marca que a sociedade impõe aos de baixo.
Тулуп[tu-LUP]Casaco de pele de carneiro / PelicaSubstantivo masculino. O casaco longo de pele de carneiro usado no inverno siberiano, símbolo do pobre rural que não pode pagar outro aquecimento. «Под тулупом плодятся нервы» = debaixo do casaco de pele multiplicam-se os nervos.
Двуглавый орёл[dvu-GLA-vy ar-YOL]Águia bicéfalaExpressão nominal. O símbolo heráldico da Rússia, águia com duas cabeças viradas para lados opostos. «Нас не взял под крыло двуглавый орёл» = a águia bicéfala não nos tomou debaixo da sua asa. Metonímia do Estado russo que abandona a periferia.
Эшелон[eshe-LON]Escalão / Escalão de comboioSubstantivo masculino. Do francês «échelon». Em sentido militar e social: um nível hierárquico. «Нижний эшелон» = escalão inferior, os de baixo. Historicamente, os эшелоны eram os comboios que transportavam deportados para a Sibéria.
Тоска[tas-KA]Melancolia / Saudade angustianteSubstantivo feminino. Um dos conceitos mais intraduzíveis do russo: uma melancolia profunda, angústia existencial sem causa precisa, a saudade que pesa. «Пролетарская тоска» = melancolia proletária, a тоска específica dos que não têm nem poder nem perspectiva.
Гильотина[gil-ya-TI-na]GuilhotinaSubstantivo feminino. O instrumento da Revolução Francesa, aqui convocado como símbolo da justiça popular violenta. «Ты боишься гильотин?» = tens medo das guilhotinas? A ironia é que a guilhotina francesa serviu tanto os revolucionários como os contra-revolucionários.
Parte 1: «Что не взять пером — возьмём огнём» e a Construção com Infinitivo Negado como Condicional
A frase usa o infinitivo negado «что не взять» (o que não se pode tomar) como cláusula condicional implícita. O padrão «что нельзя/не + infinitivo — то/тем + alternativa» é típico dos provérbios e aforismos russos. A construção implícita é: «o que não é possível conseguir pela pena, conseguiremos pelo fogo». O infinitivo sem sujeito tem valor impessoal e universal. Compare o provérbio «что написано пером, не вырубишь топором» (o que está escrito com pena não se arranca com machado): a canção inverte a autoridade do «pером», apostando no «огнём».

Parte 2: «17-й год поделил всех на тех, кто...» e as Pronominais Referenciais «Тех, Кто»
«Поделил всех на тех, кто съехал...» usa a estrutura «на тех, кто» (entre aqueles que), onde «тех» é o genitivo plural de «те» (aqueles) e funciona como antecedente do pronome relativo «кто» (que, quem). Esta construção é muito produtiva: «из тех, кто знает» (de entre os que sabem), «для тех, кто остался» (para os que ficaram). Note-se que «кто» com antecedente colectivo usa verbo no singular: «кто съехал» e não «кто съехали», mesmo que o referente seja múltiplo.

Parte 3: «Порву Москву за пролетарскую тоску» e o Verbo «Порвать» como Hipérbole Coloquial
«Порвать» (rasgar, romper) é usado figurativamente no russo coloquial no sentido de «destruir, arrasar, dominar completamente»: «порвать на сцене» = arrasar no palco, «порвать всех» = bater toda a gente. «Порву Москву» = vou arrasar Moscovo, vou rasgar Moscovo, com a violência do verbo físico a servir a hipérbole política. «За тоску» usa «за» com o acusativo para indicar a causa ou o motivo: por causa de, em nome de. «Порву Москву за пролетарскую тоску» = vou arrasar Moscovo em nome da melancolia proletária.

Exercícios Rápidos

Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:

На что намекает строка «когда на кишках последнего попа повесят последнего царя»?

A quê alude «когда на кишках последнего попа повесят последнего царя»?

Russo:
Тулуп
Тоска
Эшелон
Клеймо
Português:
Estigma
Casaco de pele de carneiro
Melancolia angustiante
Escalão

В «кто съехал на Запад» — почему глагол стоит в единственном числе, а не во множественном?

Em «кто съехал на Запад», por que o verbo está no singular e não no plural?