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Letra em Russo
Я плотник по сухожилиям
Я столяр по части мук
Я весь такой напружиненный
Как обкокошеный маленький Мук
Зубило, стамеска, киянка, топор
Я хоть и туп, инструмент мой остёр
Стамеска, киянка, топор и зубило
Я хоть и туп, но я не мудило
Ну и тисочки, без них никуда
Когда яйца в тисках, с губ срывается «да»
Ну и тисочки, без них нет игры
Всё сразу иначе, когда в тисочках шары
Дерево от крови тёмно-красное
Разбух у рубанка старенький клин
Краснодеревщик — призвание прекрасное
Лаки, морилки, водочный сплин
Первая книжка в детстве
Про Буратино была у меня
И я скажу без кокетства
Я всерьёз охуел тогда
Я всерьёз охуел от мазы
Вырубать из полена людей
И, может, замкнулась фаза
И, может, слетел я с петель
И, может, моя столярка
Не так безобидна, и что ж?
Папе Карло брёвен было не жалко
Вот и мне их не жалко тож
Я не жалею дровишки
А нахуя их жалеть?
Даже крупные шишки
С долота начинают хрипеть
Даже мелкие сошки
От стамески Кобзоном орут
Даже сраные вошки —
И те с киянкой беседу ведут
Да, я экспериментатор
Работа на стыке форм
В творчестве я диктатор
И нарушитель норм
Плоть — это древесина
То же верно наоборот
Такая, нахуй, моя доктрина
И за неё я готов всем рвать рот
Брызги крови — они как минищепки
А суставы — они как мегасучки
Деревья, они как и люди, до жизни цепки
Люди, в общем, — деревья; ну, бля, почти
Если меня поймают
То вряд ли меня поймут
«Люди — не брёвна», — мне скажут
И в психушке запрут
Люди — не брёвна, ну ёптыть
В брёвнах хоть что-то есть
Людям до брёвен топать и топать
Людям до брёвен пердеть и пердеть
Ни стол из людей не заделать
Ни печь из них без вони не разжечь
Жрать все хотят, спать и хезать
А мебель, допустим, не просит бульон для неё подогреть
Зубило, стамеска, киянка, топор...
Я не мудило, мудило не я
Я счастья ищу — это сложно, друзья
Я не мудило, мудило не я
Я счастья ищу — это сложно, друзья
Я столяр по части мук
Я весь такой напружиненный
Как обкокошеный маленький Мук
Зубило, стамеска, киянка, топор
Я хоть и туп, инструмент мой остёр
Стамеска, киянка, топор и зубило
Я хоть и туп, но я не мудило
Ну и тисочки, без них никуда
Когда яйца в тисках, с губ срывается «да»
Ну и тисочки, без них нет игры
Всё сразу иначе, когда в тисочках шары
Дерево от крови тёмно-красное
Разбух у рубанка старенький клин
Краснодеревщик — призвание прекрасное
Лаки, морилки, водочный сплин
Первая книжка в детстве
Про Буратино была у меня
И я скажу без кокетства
Я всерьёз охуел тогда
Я всерьёз охуел от мазы
Вырубать из полена людей
И, может, замкнулась фаза
И, может, слетел я с петель
И, может, моя столярка
Не так безобидна, и что ж?
Папе Карло брёвен было не жалко
Вот и мне их не жалко тож
Я не жалею дровишки
А нахуя их жалеть?
Даже крупные шишки
С долота начинают хрипеть
Даже мелкие сошки
От стамески Кобзоном орут
Даже сраные вошки —
И те с киянкой беседу ведут
Да, я экспериментатор
Работа на стыке форм
В творчестве я диктатор
И нарушитель норм
Плоть — это древесина
То же верно наоборот
Такая, нахуй, моя доктрина
И за неё я готов всем рвать рот
Брызги крови — они как минищепки
А суставы — они как мегасучки
Деревья, они как и люди, до жизни цепки
Люди, в общем, — деревья; ну, бля, почти
Если меня поймают
То вряд ли меня поймут
«Люди — не брёвна», — мне скажут
И в психушке запрут
Люди — не брёвна, ну ёптыть
В брёвнах хоть что-то есть
Людям до брёвен топать и топать
Людям до брёвен пердеть и пердеть
Ни стол из людей не заделать
Ни печь из них без вони не разжечь
Жрать все хотят, спать и хезать
А мебель, допустим, не просит бульон для неё подогреть
Зубило, стамеска, киянка, топор...
Я не мудило, мудило не я
Я счастья ищу — это сложно, друзья
Я не мудило, мудило не я
Я счастья ищу — это сложно, друзья
Tradução em Português
Sou carpinteiro por сухожилиям (tendões)
Sou marceneiro na parte dos tormentos
Estou todo assim tenso e esticado
Como o Pequeno Muck sob efeito de cocaína
Formão de ferro (zubilo), formão de carpinteiro (stameska), maço de madeira (kiyanka), machado
Embora eu seja burro, o meu instrumento é afiado
Formão, maço, machado e formão de ferro
Embora eu seja burro, não sou um c*brão
E o torno de bancada (tisochki), sem ele em lado nenhum
Quando os tomates estão no torno, dos lábios escapa um «sim»
E o torno, sem ele não há jogo
Tudo fica logo diferente quando no torno estão as bolas
A madeira está vermelho-escura de sangue
Inchou a cunha antiga da plana de aplainar
Marceneiro de móveis finos — uma vocação linda
Vernizes, velaturas, o melancolia (splin) de vodka
O primeiro livro na infância
Sobre o Buratino foi para mim
E eu digo sem vaidade
Fiquei seriamente f*dido nessa altura
Fiquei seriamente f*dido com a ideia
De esculpir pessoas a partir de um tronco
E, talvez, tenha curto-circuitado a fase
E, talvez, tenha saltado das dobradiças
E, talvez, a minha marcenaria
Não seja assim tão inofensiva, e que tem?
O Papa Carlo não tinha pena dos troncos
Pois eu também não tenho pena deles
Eu não tenho pena da lenha
E para que c*ralho ter pena dela?
Até os graúdos (krupnyye shishki)
Com o escopro começam a estertorar
Até os pequenotes insignificantes (melkiye soshki)
Com o formão berram como o Kobzon
Até as piolhas de m*rda —
Até essas com o maço de madeira conversam
Sim, sou um experimentalista
Trabalho na junção das formas
Na criação sou um ditador
E um violador de normas
A carne — é madeira
O mesmo é verdade ao contrário
Esta, p*ta, é a minha doutrina
E por ela estou pronto a rasgar a boca a todos
Salpicos de sangue — são como mini-lascas
E as articulações — são como mega-nós na madeira
As árvores, elas como as pessoas, agarram-se à vida
As pessoas, em geral, — são árvores; bem, p*ta, quase
Se me apanharem
Dificilmente me vão compreender
«As pessoas não são troncos», — dir-me-ão
E vão trancar-me num manicómio
As pessoas não são troncos, bem, caramba
Nos troncos ao menos há alguma coisa
As pessoas para chegarem a troncos têm muito que andar
As pessoas para chegarem a troncos têm muito que dar ao peito
Nem uma mesa de pessoas dá para fazer
Nem um forno com elas sem fedor dá para acender
Todos querem comer, dormir e c*gar
E os móveis, suponhamos, não pedem para aquecer caldo para eles
Formão, maço, machado e formão de ferro...
Sou marceneiro na parte dos tormentos
Estou todo assim tenso e esticado
Como o Pequeno Muck sob efeito de cocaína
Formão de ferro (zubilo), formão de carpinteiro (stameska), maço de madeira (kiyanka), machado
Embora eu seja burro, o meu instrumento é afiado
Formão, maço, machado e formão de ferro
Embora eu seja burro, não sou um c*brão
E o torno de bancada (tisochki), sem ele em lado nenhum
Quando os tomates estão no torno, dos lábios escapa um «sim»
E o torno, sem ele não há jogo
Tudo fica logo diferente quando no torno estão as bolas
A madeira está vermelho-escura de sangue
Inchou a cunha antiga da plana de aplainar
Marceneiro de móveis finos — uma vocação linda
Vernizes, velaturas, o melancolia (splin) de vodka
O primeiro livro na infância
Sobre o Buratino foi para mim
E eu digo sem vaidade
Fiquei seriamente f*dido nessa altura
Fiquei seriamente f*dido com a ideia
De esculpir pessoas a partir de um tronco
E, talvez, tenha curto-circuitado a fase
E, talvez, tenha saltado das dobradiças
E, talvez, a minha marcenaria
Não seja assim tão inofensiva, e que tem?
O Papa Carlo não tinha pena dos troncos
Pois eu também não tenho pena deles
Eu não tenho pena da lenha
E para que c*ralho ter pena dela?
Até os graúdos (krupnyye shishki)
Com o escopro começam a estertorar
Até os pequenotes insignificantes (melkiye soshki)
Com o formão berram como o Kobzon
Até as piolhas de m*rda —
Até essas com o maço de madeira conversam
Sim, sou um experimentalista
Trabalho na junção das formas
Na criação sou um ditador
E um violador de normas
A carne — é madeira
O mesmo é verdade ao contrário
Esta, p*ta, é a minha doutrina
E por ela estou pronto a rasgar a boca a todos
Salpicos de sangue — são como mini-lascas
E as articulações — são como mega-nós na madeira
As árvores, elas como as pessoas, agarram-se à vida
As pessoas, em geral, — são árvores; bem, p*ta, quase
Se me apanharem
Dificilmente me vão compreender
«As pessoas não são troncos», — dir-me-ão
E vão trancar-me num manicómio
As pessoas não são troncos, bem, caramba
Nos troncos ao menos há alguma coisa
As pessoas para chegarem a troncos têm muito que andar
As pessoas para chegarem a troncos têm muito que dar ao peito
Nem uma mesa de pessoas dá para fazer
Nem um forno com elas sem fedor dá para acender
Todos querem comer, dormir e c*gar
E os móveis, suponhamos, não pedem para aquecer caldo para eles
Formão, maço, machado e formão de ferro...
💡 Interpretação e Contexto Cultural
Ferramentas de Marcenaria, Buratino e Iosif Kobzon
• Metáfora do Torturador Marceneiro: A letra descreve um psicopata que usa ferramentas tradicionais de marcenaria (зубило, стамеска, киянка, топор, тиски) para torturar e esquartejar vítimas, comparando a carne humana à madeira.
• A Lenda de Buratino e Papa Carlo: Referência ao clássico da literatura infantil russa As Aventuras de Buratino (1936) de Aleksey Tolstoy (adaptação russa de Pinóquio), onde o marceneiro Papa Carlo esculpe a marioneta de madeira Buratino a partir de um tronco falante.
• Iosif Kobzon (Иосиф Кобзон): O célebre cantor soviético/russo de barítono poderoso Iosif Kobzon (1937–2018) é citado ironicamente para descrever os gritos graves das vítimas sob tortura.
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Стамеска | [Sta-MES-ka] | Formão de carpinteiro | Substantivo feminino. |
| Киянка | [Ki-YAN-ka] | Maço de madeira / Martelo de marceneiro | Substantivo feminino. |
| Тиски | [Tis-KI] | Torno de bancada / Prensa de aperto | Substantivo plural. |
| Краснодеревщик | [Kras-na-de-REV-shchik] | Marceneiro de móveis nobres / Ebanista | Substantivo masculino. |
| Мелкая сошка | [MEL-ka-ya SOSH-ka] | Pessoa insignificante / Zé-ninguém | Expressão idiomática russa. |
| Маленький Мук | [MA-len'-kiy MUK] | Pequeno Muck (conto de Wilhelm Hauff) | Personagem de conto de fadas. |
Parte 2: Enumeração de Instrumentos com Adjetivos Curto-Sintéticos («Остёр», «Туп»)
• Я хоть и туп, инструмент мой остёр — Uso de adjetivos curtos arcaicos (туп, остёр) para criar rimas rítmicas e slogans cômicos.
Parte 3: O Uso do Verbo «Орать Кобзоном»
• A utilização do substantivo próprio no Caso Instrumental (Кобзоном) indica a maneira ou o estilo de cantar/gritar das vítimas.
Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Какая сказочная книжка и персонаж вдохновили героя на работу с «деревом»?
Que livro de contos e personagem inspiraram o protagonista a trabalhar com «madeira»?
Liga as ferramentas de marcenaria às suas traduções:
Russo:
Киянка
Тиски
Стамеска
Português:
Formão de carpinteiro
Maço de madeira
Torno de bancada
С каким советским эстрадным певцом сравнивается громкий крик жертвы?
Com que cantor soviético é comparado o grito alto da vítima?
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