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Letra em Russo
Когда и с кем ты долю сватал,
Жар закадычно загребал.
А ныне – просто виноватый,
И сыплет снежная крупа.
За воротник, где манна тает,
И точат струи позвонки.
И остывает кровь густая,
И чахнут летние венки.
Каждый встречный пальцем тычет,
Всех собак спешит повесить,
Оплеух и зуботычин раздает без меры.
Когти-сверла целит в горло,
И ярлык цепляет свежий,
Все судачит звонкой сдачей
Пропасти и мели…
Не обещала жизнь поблажек,
Гоняла вдоль и поперек,
Но, как и прежде, сердце пляшет –
Узнать бы, кто сие предрек.
То вверх, то вниз, и тоньше лезвий
Границы зыбкие времен.
Где явь, где сон – рассудит трезвый,
Кто незатейливо умен.
Дрогнет ночь неверным зыком,
Покачнутся мрачно своды,
И зайдутся двуязыко в бесконечных спорах.
И на части без причастий
Душу хрупкую изводят,
Но хранится у божницы
Благодатный порох.
И долог путь, а выбор краток:
Сомнений прорву не объять.
На небе солнечное злато.
Зовет тебя, зовет опять.
Жар закадычно загребал.
А ныне – просто виноватый,
И сыплет снежная крупа.
За воротник, где манна тает,
И точат струи позвонки.
И остывает кровь густая,
И чахнут летние венки.
Каждый встречный пальцем тычет,
Всех собак спешит повесить,
Оплеух и зуботычин раздает без меры.
Когти-сверла целит в горло,
И ярлык цепляет свежий,
Все судачит звонкой сдачей
Пропасти и мели…
Не обещала жизнь поблажек,
Гоняла вдоль и поперек,
Но, как и прежде, сердце пляшет –
Узнать бы, кто сие предрек.
То вверх, то вниз, и тоньше лезвий
Границы зыбкие времен.
Где явь, где сон – рассудит трезвый,
Кто незатейливо умен.
Дрогнет ночь неверным зыком,
Покачнутся мрачно своды,
И зайдутся двуязыко в бесконечных спорах.
И на части без причастий
Душу хрупкую изводят,
Но хранится у божницы
Благодатный порох.
И долог путь, а выбор краток:
Сомнений прорву не объять.
На небе солнечное злато.
Зовет тебя, зовет опять.
Tradução em Português
Quando e com quem desposaste o teu destino,
Agarraste o calor como um amigo íntimo.
Mas agora — és apenas o culpado,
E cai o farelo de neve.
Para dentro do colarinho, onde o maná derrete,
E as correntes corroem as vértebras.
E o sangue espesso arrefece,
E murcham as grinaldas de verão.
Cada transeunte aponta o dedo,
Corre para te culpar de todos os males,
Distribui bofetadas e murros sem medida.
Garras-brocas miram a garganta,
E pendura um rótulo fresco,
Tagarelando com troco sonoro
Sobre o abismo e o banco de areia...
A vida não prometeu indulgências,
Correu-te de alto a baixo,
Mas, como antes, o coração dança —
Quem dera saber quem predisse isto.
Ora para cima, ora para baixo, e mais finas que lâminas
São as fronteiras instáveis dos tempos.
Onde é realidade, onde é sonho — julgará o sóbrio,
Quem é simplistamente inteligente.
A noite estremecerá com um clamor incerto,
Os arcos balançarão sombriamente,
E desatarão bilinguemente em disputas infinitas.
E em pedaços, sem comunhão,
Atormentam a alma frágil,
Mas guarda-se junto ao oratório
A pólvora abençoada.
E longo é o caminho, mas curta a escolha:
O abismo das dúvidas é impossível de abraçar.
No céu está o ouro solar.
Chama por ti, chama outra vez.
Agarraste o calor como um amigo íntimo.
Mas agora — és apenas o culpado,
E cai o farelo de neve.
Para dentro do colarinho, onde o maná derrete,
E as correntes corroem as vértebras.
E o sangue espesso arrefece,
E murcham as grinaldas de verão.
Cada transeunte aponta o dedo,
Corre para te culpar de todos os males,
Distribui bofetadas e murros sem medida.
Garras-brocas miram a garganta,
E pendura um rótulo fresco,
Tagarelando com troco sonoro
Sobre o abismo e o banco de areia...
A vida não prometeu indulgências,
Correu-te de alto a baixo,
Mas, como antes, o coração dança —
Quem dera saber quem predisse isto.
Ora para cima, ora para baixo, e mais finas que lâminas
São as fronteiras instáveis dos tempos.
Onde é realidade, onde é sonho — julgará o sóbrio,
Quem é simplistamente inteligente.
A noite estremecerá com um clamor incerto,
Os arcos balançarão sombriamente,
E desatarão bilinguemente em disputas infinitas.
E em pedaços, sem comunhão,
Atormentam a alma frágil,
Mas guarda-se junto ao oratório
A pólvora abençoada.
E longo é o caminho, mas curta a escolha:
O abismo das dúvidas é impossível de abraçar.
No céu está o ouro solar.
Chama por ti, chama outra vez.
💡 Interpretação e Contexto Cultural
Simbolismo Cristão e o Estigma Social
• Pendurar todos os cães (Всех собак повесить): Expressão russa que significa culpar alguém injustamente por todos os erros e infortúnios possíveis. Reflete o isolamento do herói lírico perante uma multidão agressiva.
• Oratório (Божница): Um lugar especial na casa russa tradicional onde se colocavam os ícones. A menção à «pólvora abençoada» guardada junto à bojnitsa simboliza a fé como uma força explosiva e defensiva, pronta a ser usada em momentos de crise espiritual.
• Maná e Farelo de Neve: Revyakin contrasta o «maná» celestial que derrete (a perda da graça ou da ilusão) com a «krupa» (neve granulada), criando uma sensação de desconforto físico e espiritual que atinge as vértebras.
• Ouro Solar (Солнечное злато): Representa a iluminação divina, o objetivo final que permanece inalterado acima do caos terreno e das «fronteiras instáveis dos tempos». É o chamamento constante que guia o herói através da provação.
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Закадычно | [Za-ka-DYCH-na] | Intimamente / Como um amigo do peito | Advérbio derivado de 'zakadychnyy drug' (amigo íntimo/do peito). |
| Крупа | [Kru-PA] | Farelo / Grumos (de neve) | Originalmente refere-se a cereais moídos, mas aqui descreve um tipo de neve granulada e dura. |
| Зуботычин | [Zu-ba-TY-chin] | Murros na boca / Sopapos | Genitivo plural; termo coloquial para golpes físicos dirigidos ao rosto. |
| Поблажек | [Pa-BLA-zhek] | Indulgências / Favores | Genitivo plural; concessões feitas por alguém em posição de poder ou pela própria vida. |
| Зыком | [ZY-kam] | Clamor / Grito retumbante | Instrumental de 'zyk'; um som alto, agudo e muitas vezes assustador. |
| Прорву | [PROR-vu] | Abismo / Quantidade imensa | Acusativo de 'prorva'; usado para descrever um vazio insaciável ou uma multidão incalculável. |
Parte 2: Verbos de Movimento e Direção Metafórica
A letra utiliza os advérbios de direção Вдоль и поперек (ao longo e ao largo / de alto a baixo) para descrever a dureza da vida. Outra estrutura importante é o par То вверх, то вниз (ora para cima, ora para baixo), que demonstra a instabilidade da fortuna através de construções adverbiais repetitivas.Parte 3: O Uso do Instrumental de Modo em Disputas
Em «Зайдутся двуязыко» (Desatarão bilinguemente), o advérbio indica a natureza dividida ou enganosa da fala. Já em «Пальцем тычет» (Aponta com o dedo), o Instrumental 'pal'tsem' define o instrumento da acusação, uma forma gramatical essencial para descrever interações físicas e sociais em russo.Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Где хранится благодатный порох?
Onde é guardada a pólvora abençoada?
Liga as partes do corpo às ações descritas na música:
Russo:
Горло
Позвонки
Сердце
Português:
As correntes corroem
Garras miram
Dança (Пляшет)
Что на небе зовёт героя опять?
O que no céu chama o herói novamente?
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