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- «Как ржанет коренной!» (De repente relinchou o cavalo de guia — sufixo semelfactivo «-ну-»).
- «стреляют без промаха в лоб» (disparam à queima-roupa e sem errar na testa).
Letra em Russo
Я когда-то умру - мы когда-то всегда умираем,-
Как бы так угадать, чтоб не сам - чтобы в спину ножом:
Убиенных щадят, отпевают и балуют раем,-
Не скажу про живых, а покойников мы бережем
В грязь ударю лицом, завалюсь покрасивее набок
И ударит душа на ворованных клячах в галоп
В дивных райских садах наберу бледно-розовых яблок
Жаль, сады сторожат и стреляют без промаха в лоб
Прискакали - гляжу - пред очами не райское что-то:
Неродящий пустырь и сплошное ничто - беспредел
И среди ничего возвышались литые ворота
И огромный этап у ворот на ворота глядел
Как ржанет коренной! Я смирил его ласковым словом
Да репьи из мочал еле выдрал и гриву заплел
Седовласый старик что-то долго возился с засовом -
И кряхтел и ворчал, и не смог отворить - и ушел
И огромный этап не издал ни единого стона
Лишь на корточки вдруг с онемевших колен пересел
Здесь малина, братва,- оглушило малиновым звоном!
Все вернулось на круг, и распятый над кругом висел
И апостол-старик — он над стражей кричал-комиссарил —
Он позвал кой-кого, и затеяли вновь отворять...
Кто-то палкой с винтом, поднатужась, об рельсу ударил —
И как ринулись все в распрекрасную ту благодать!
Я узнал старика по слезам на щеках его дряблых:
Это Пётр-старик — он апостол, а я остолоп
Вот и кущи-сады, в коих прорва мороженых яблок...
Но сады сторожат и стреляют без промаха в лоб
Всем нам блага подай, да и много ли требовал я благ?!
Мне — чтоб были друзья, да жена — чтобы пала на гроб
Ну, а я уж для них наворую бессемечных яблок...
Жаль, сады сторожат и стреляют без промаха в лоб
В онемевших руках свечи плавились, как в канделябрах
А тем временем я снова поднял лошадок в галоп
Я набрал, я натряс этих самых бессемечных яблок —
И за это меня застрелили без промаха в лоб
И погнал я коней прочь от мест этих гиблых и зяблых
Кони — головы вверх, но и я закусил удила
Вдоль обрыва с кнутом по-над пропастью пазуху яблок
Я тебе привезу — ты меня и из рая ждала!
Я тебе привезу — ты меня и из рая ждала!
Как бы так угадать, чтоб не сам - чтобы в спину ножом:
Убиенных щадят, отпевают и балуют раем,-
Не скажу про живых, а покойников мы бережем
В грязь ударю лицом, завалюсь покрасивее набок
И ударит душа на ворованных клячах в галоп
В дивных райских садах наберу бледно-розовых яблок
Жаль, сады сторожат и стреляют без промаха в лоб
Прискакали - гляжу - пред очами не райское что-то:
Неродящий пустырь и сплошное ничто - беспредел
И среди ничего возвышались литые ворота
И огромный этап у ворот на ворота глядел
Как ржанет коренной! Я смирил его ласковым словом
Да репьи из мочал еле выдрал и гриву заплел
Седовласый старик что-то долго возился с засовом -
И кряхтел и ворчал, и не смог отворить - и ушел
И огромный этап не издал ни единого стона
Лишь на корточки вдруг с онемевших колен пересел
Здесь малина, братва,- оглушило малиновым звоном!
Все вернулось на круг, и распятый над кругом висел
И апостол-старик — он над стражей кричал-комиссарил —
Он позвал кой-кого, и затеяли вновь отворять...
Кто-то палкой с винтом, поднатужась, об рельсу ударил —
И как ринулись все в распрекрасную ту благодать!
Я узнал старика по слезам на щеках его дряблых:
Это Пётр-старик — он апостол, а я остолоп
Вот и кущи-сады, в коих прорва мороженых яблок...
Но сады сторожат и стреляют без промаха в лоб
Всем нам блага подай, да и много ли требовал я благ?!
Мне — чтоб были друзья, да жена — чтобы пала на гроб
Ну, а я уж для них наворую бессемечных яблок...
Жаль, сады сторожат и стреляют без промаха в лоб
В онемевших руках свечи плавились, как в канделябрах
А тем временем я снова поднял лошадок в галоп
Я набрал, я натряс этих самых бессемечных яблок —
И за это меня застрелили без промаха в лоб
И погнал я коней прочь от мест этих гиблых и зяблых
Кони — головы вверх, но и я закусил удила
Вдоль обрыва с кнутом по-над пропастью пазуху яблок
Я тебе привезу — ты меня и из рая ждала!
Я тебе привезу — ты меня и из рая ждала!
Tradução em Português
Um dia irei morrer — nós acabamos sempre por morrer algures —,
Quem me dera adivinhar como não morrer por mão própria — que seja uma facada nas costas:
Dos assassinados têm pena, rezam-lhes exéquias e mimam-nos com o paraíso, —
Não digo o mesmo dos vivos, mas aos mortos nós guardamo-los com zelo
Bato com a cara na lama, tombo com garbo para o lado
E a alma arranca a galope montada em sendeiros roubados
Nos jardins divinais do Éden irei colher maçãs rosa-pálido
Pena que os jardins sejam guardados e atirem certeiros à testa sem falhar
Chegámos a cavalo — olho em volta — e perante os olhos nada parece paraíso:
Um descampado estéril e um vazio total — uma arbitrariedade sem lei
E no meio do nada erguiam-se portões fundidos em ferro
E uma leva imensa de prisioneiros junto aos portões olhava para os portões
De repente relincha o cavalo da parelha! Acalmei-o com uma palavra carinhosa
A custo arranquei os cardos das crinas e entrelacei o pelo
Um velho de cabelos brancos entreteve-se demoradamente com o ferrolho —
E gemia e resmungava, e não conseguiu abrir — e foi-se embora
E a leva imensa de prisioneiros não soltou um único gemido
Apenas se agacharam de cócoras das pernas dormentes
Aqui é o bom refúgio, irmãos — ensurdeceu-os um dobre doce e purpúreo de sinos!
Tudo voltou ao seu círculo, e o crucificado pairava sobre a roda
E o velho apóstolo — gritava e dava ordens aos guardas como um comissário —
Chamou uns quantos companheiros e puseram-se de novo a abrir...
Alguém com uma barra de ferro, fazendo força, bateu contra o carril —
E como se precipitaram todos para aquela graça magnífica!
Reconheci o velho pelas lágrimas nas suas faces enrugadas:
É o velho Pedro — ele é o apóstolo, e eu sou um pateta palerma
Eis as ramagens e pomares onde há uma fartura de maçãs geladas...
Mas os pomares são vigiados e disparam sem falhar um tiro na testa
Dai-nos a todos benesses divinas, e acaso pedia eu muitas benesses?!
Para mim — apenas ter amigos, e a esposa — que se deitasse a chorar sobre o caixão
Quanto a mim, hei de roubar para eles maçãs sem grainha...
Pena que os pomares sejam vigiados e atirem certeiros à testa sem falhar
Nas mãos entorpecidas as velas derretiam-se como em candelabros
E entretanto lancei de novo os cavalinhos a galope
Colhi e sacudi das árvores aquelas mesmas maçãs sem grainha —
E por causa disso dispararam-me sem falhar um tiro certeiro na testa
E pus os cavalos a galopar para longe destes lugares funestos e gélidos
Cavalos de cabeça erguida, mas eu também apertei o freio nos dentes
Ao longo do precipício com o chicote à beira do abismo, com o regaço cheio de maçãs
Eu hei de trazer-tas — tu esperaste por mim mesmo sabendo que vinha do paraíso!
Eu hei de trazer-tas — tu esperaste por mim mesmo sabendo que vinha do paraíso!
Quem me dera adivinhar como não morrer por mão própria — que seja uma facada nas costas:
Dos assassinados têm pena, rezam-lhes exéquias e mimam-nos com o paraíso, —
Não digo o mesmo dos vivos, mas aos mortos nós guardamo-los com zelo
Bato com a cara na lama, tombo com garbo para o lado
E a alma arranca a galope montada em sendeiros roubados
Nos jardins divinais do Éden irei colher maçãs rosa-pálido
Pena que os jardins sejam guardados e atirem certeiros à testa sem falhar
Chegámos a cavalo — olho em volta — e perante os olhos nada parece paraíso:
Um descampado estéril e um vazio total — uma arbitrariedade sem lei
E no meio do nada erguiam-se portões fundidos em ferro
E uma leva imensa de prisioneiros junto aos portões olhava para os portões
De repente relincha o cavalo da parelha! Acalmei-o com uma palavra carinhosa
A custo arranquei os cardos das crinas e entrelacei o pelo
Um velho de cabelos brancos entreteve-se demoradamente com o ferrolho —
E gemia e resmungava, e não conseguiu abrir — e foi-se embora
E a leva imensa de prisioneiros não soltou um único gemido
Apenas se agacharam de cócoras das pernas dormentes
Aqui é o bom refúgio, irmãos — ensurdeceu-os um dobre doce e purpúreo de sinos!
Tudo voltou ao seu círculo, e o crucificado pairava sobre a roda
E o velho apóstolo — gritava e dava ordens aos guardas como um comissário —
Chamou uns quantos companheiros e puseram-se de novo a abrir...
Alguém com uma barra de ferro, fazendo força, bateu contra o carril —
E como se precipitaram todos para aquela graça magnífica!
Reconheci o velho pelas lágrimas nas suas faces enrugadas:
É o velho Pedro — ele é o apóstolo, e eu sou um pateta palerma
Eis as ramagens e pomares onde há uma fartura de maçãs geladas...
Mas os pomares são vigiados e disparam sem falhar um tiro na testa
Dai-nos a todos benesses divinas, e acaso pedia eu muitas benesses?!
Para mim — apenas ter amigos, e a esposa — que se deitasse a chorar sobre o caixão
Quanto a mim, hei de roubar para eles maçãs sem grainha...
Pena que os pomares sejam vigiados e atirem certeiros à testa sem falhar
Nas mãos entorpecidas as velas derretiam-se como em candelabros
E entretanto lancei de novo os cavalinhos a galope
Colhi e sacudi das árvores aquelas mesmas maçãs sem grainha —
E por causa disso dispararam-me sem falhar um tiro certeiro na testa
E pus os cavalos a galopar para longe destes lugares funestos e gélidos
Cavalos de cabeça erguida, mas eu também apertei o freio nos dentes
Ao longo do precipício com o chicote à beira do abismo, com o regaço cheio de maçãs
Eu hei de trazer-tas — tu esperaste por mim mesmo sabendo que vinha do paraíso!
Eu hei de trazer-tas — tu esperaste por mim mesmo sabendo que vinha do paraíso!
💡 Interpretação e Contexto Cultural
• Homenagem a Vladimir Vysotsky (Владимир Высоцкий): Obra-prima escrita em 1977 pelo lendário bardo soviético Vladimir Vysotsky. Nesta faixa, Basta presta tributo direto à sua maior referência poética, mantendo integralmente o texto original e vestindo-o de uma instrumentação moderna e visceral de cordas e batidas cadenciadas.
• Imagética Gulag e Escatologia Russa: O céu não é retratado como um éden idílico ocidental, mas sim como uma zona carcerária siberiana: um «этап» (coluna de deportados forçados), torres de vigia onde sentinelas atiram à queima-roupa na cabeça dos intrusos («стреляют без промаха в лоб»), o bater no carril para marcar o turno e São Pedro a agir como um «комиссар» (comissário político).
• «Малина» e «Малиновый звон»: Duplo sentido genial de Vysotsky: na gíria do submundo criminal russo («феня»), «малина» é o esconderijo ou refúgio seguro dos foragidos; ao mesmo tempo, na tradição ortodoxa russa, «малиновый звон» refere-se ao som harmonioso e cristalino dos sinos eclesiásticos de Mechelen (Malines).
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| кляча | [klyá-tcha] | pangaré / sendeiro / cavalo velho e magro | И ударит душа на ворованных клячах в галоп |
| этап | [e-táp] | coluna de prisioneiros / comboio de deportação | И огромный этап у ворот на ворота глядел |
| засов | [za-sóf] | ferrolho / tranca de porta | Седовласый старик что-то долго возился с засовом |
| остолоп | [as-ta-lóp] | pateta / tolo / palerma | Это Пётр-старик — он апостол, а я остолоп |
| кущи | [kú-shtchi] | ramagens sagradas / moradas celestiais | Вот и кущи-сады, в коих прорва мороженых яблок |
| закусить удила | [za-ku-sít' u-di-lá] | morder o freio / obstinar-se cegamente | Кони — головы вверх, но и я закусил удила |
• Construções de finalidade com a conjunção «чтоб(ы)» no conjuntivo:
A oração «Как бы так угадать, чтоб не сам [умер] — чтобы в спину ножом» utiliza a partícula conjuntiva «чтобы» com omissão do verbo («elipse») para traduzir o desejo de um fim trágico que não seja o suicídio.• Verbos de prefixação incoativa ou instantânea com «за-» e «ударить»:
- «И ударит душа в галоп» (E a alma romperá veloz em galope).- «Как ржанет коренной!» (De repente relinchou o cavalo de guia — sufixo semelfactivo «-ну-»).
• Expressão idiomática «без промаха»:
A preposição «без» com o genitivo «промаха» funciona como locução adverbial que significa «sem errar o alvo», «de forma certeira»:- «стреляют без промаха в лоб» (disparam à queima-roupa e sem errar na testa).
Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Кто является автором оригинальной поэмы и музыки песни «Райские яблоки»?
Quem é o autor lendário do poema e da composição original «Райские яблоки»?
Associe as palavras aos seus significados em português:
Russo:
засов
этап
кляча
кущи
Português:
sendeiro
coluna de prisioneiros
ferrolho
ramagens sagradas
Что означает жаргонное слово «малина» в лагерной эстетике Высоцкого?
O que significa o termo de gíria carcerária «малина» invocado no poema de Vysotsky?
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