Anterior Próxima
← Voltar para БастаБаста

Война

Voyna

Guerra

Álbum: Баста 2
Compositor: Василий Вакуленко (Баста)
Letrista: Василий Вакуленко (Баста)
Arranjador: Баста (Gazgolder)

Letra em Russo

[Куплет 1]
Кто ведёт войны? Кто посылает воинов
Победы освещать пролитой вражеской кровью?
Идут отряды, солдаты латают раны
Упрямо прямо, кровь как из крана
Гаснут лампады в храмах, когда хоронят героев
Ещё живые готовятся к последнему бою
Солдат смотрит в небо, но не видит Бога
Сам себе шепчет: «Потерпи немного»
Моя страна как одна большая казарма
Видимо, это наша карма, Че Гевара
Воины ислама, зелёное знамя
Нашли войну где-то на страницах Корана
Денежные знаки вперемешку с проповедью
Святость заляпана невинной кровью, и
Вожди точат ножи, запуская дезу
Власть в руках опричников-головорезов
Жизнь, смерть по решенью императора
Несчастная Фемида, да ты давно отравлена
Переплавлена в монеты и роздана
Признанье закона из нас выбито розгами
Мольбами слёзными оглушаем Всевышнего
Но почему же нас не слышишь ты?
Видишь ты? Реки крови выходят из берегов
Мы теряем отцов, мы меняем богов

[Куплет 2]
Я сын войны, всегда готов к схватке
Когда зацветёт мак, я оденусь в хаки
Ненависть в баки, соляру в костры
Брат, видишь кровь из ушей? Слышишь, текста на листы?
В землю кресты, на погоны звёзды
Весной о героях льют слёзы берёзы
Расплетают косы печальные невесты
Источают мира священные фрески

[Куплет 3]
Хороним молодых за стариками слепо
Вспышка справа, засада слева
Слышишь? Передай письмо моей маме
Брат, кинь бинты — перевяжу раны
Пожил мало, не повидал сынишку
Слёзы — реакция на эти яркие вспышки
Нам крышка! Нет, земляк-братишка
Сейчас пройдёт одышка, и попрём, парниша
Их много слишком, ничё, ведь мы же русские
Эй, чё-то твои глаза стали какими-то тусклыми
Вставай, вставай, сдаваться слишком рано
Он умер, я не верю — упрямый
Прямо, через поляну, там в овраге я залягу
Выпала фляга, за мной собаки
Бегу сломя голову, не смотря под ноги
Что-то непонятное шепчу Богу я
Касаньем скальпеля пуля снайпера
Я упал на землю и медленно встал я
Стая приближалась, походу, я опять в минусе
Прощай, мамулечка, больше не увидимся мы
Я посмотрел на небо, таким не видел я его ещё
Сел на землю, прикрылся рваным плащом
В левую руку гранату, ближе к груди
Выдернул чеку, раз, два, три

[Инструментал]

[Аутро]
Кто ведёт войны?
Войны? Кто?
Видимо, это наша карма, Че Гевара
Че Гевара, Че Гевара, Че Гевара, Че Гевара
Кто ведёт войны?
Войны? Кто?
Видимо, это наша карма, Че Гевара
Че Гевара, Че Гевара, Че Гевара, Че Гевара
Че Гевара, Че Гевара, Че Гевара, Че Гевара

Tradução em Português

[Verso 1]
Quem conduz as guerras? Quem envia os guerreiros
Para iluminar vitórias com sangue inimigo derramado?
Avançam os destacamentos, soldados remendam feridas
Obstinados em frente, sangue como de uma torneira
Apagam-se as lamparinas nas igrejas quando enterram heróis
Os que ainda estão vivos preparam-se para o último combate
O soldado olha para o céu, mas não vê Deus
Sussurra para si mesmo: «Aguenta mais um pouco»
O meu país é como uma grande caserna
Aparentemente é o nosso carma, Che Guevara
Guerreiros do islão, o estandarte verde
Encontraram a guerra algures nas páginas do Alcorão
Notas de dinheiro misturadas com sermões
A santidade salpicada com sangue inocente, e
Os líderes afiam facas, lançando desinformação
O poder nas mãos de opítchniks degoladores
A vida, a morte por decisão do imperador
Infeliz Témis, há muito que foste envenenada
Fundida em moedas e distribuída
O reconhecimento da lei foi-nos arrancado à chicotada
Com súplicas em lágrimas ensurdecemos o Altíssimo
Mas por que motivo não nos ouves Tu?
Vês Tu? Rios de sangue transbordam das margens
Perdemos pais, mudamos de deuses

[Verso 2]
Sou filho da guerra, sempre pronto para a batalha
Quando florir a papoila, vestir-me-ei de camuflado
Ódio nos depósitos, gasóleo nas fogueiras
Irmão, vês sangue a sair dos ouvidos? Ouves letras para os papéis?
Na terra cruzes, nas dragonas estrelas
Na primavera pelos heróis vertem lágrimas as bétulas
Desfazem as tranças as noivas tristes
Exalam mirra os frescos sagrados

[Verso 3]
Enterramos cegamente os jovens atrás dos velhos
Clarão à direita, emboscada à esquerda
Estás a ouvir? Entrega esta carta à minha mãe
Irmão, passa as ligaduras, vou atar as feridas
Vivi pouco, não cheguei a ver o meu filhote
As lágrimas são a reação a estes clarões intensos
Estamos lixados! Não, irmão da minha terra
Agora vai passar o fôlego curto e avançamos, rapaz
Eles são demasiados, não faz mal, afinal somos russos
Ei, os teus olhos ficaram tão baços de repente
Levanta-te, levanta-te, render-se é cedo demais
Ele morreu, não acredito, teimoso
Em frente, pela clareira, vou abrigar-me ali no barranco
Caiu o cantil, cães no meu encalço
Corro desalmado, sem olhar para onde piso
Sussurro a Deus algo incompreensível
Com o toque de um bisturi a bala do atirador furtivo
Caí por terra e lentamente me ergui
A matilha aproximava-se, pelos vistos estou em desvantagem de novo
Adeus, mãezinha, nunca mais nos veremos
Olhei para o céu, nunca o tinha visto assim antes
Sentei-me no chão, cobri-me com a capa rota
Na mão esquerda a granada, encostada ao peito
Puxei a cavilha, um, dois, três

[Instrumental]

[Outro]
Quem conduz as guerras?
Guerras? Quem?
Aparentemente é o nosso carma, Che Guevara
Che Guevara, Che Guevara, Che Guevara, Che Guevara
Quem conduz as guerras?
Guerras? Quem?
Aparentemente é o nosso carma, Che Guevara
Che Guevara, Che Guevara, Che Guevara, Che Guevara
Che Guevara, Che Guevara, Che Guevara, Che Guevara

💡 Interpretação e Contexto Cultural

• A tragédia das Guerras da Chechénia e o Cáucaso: Nascido em Rostov do Don, cidade de retaguarda militar para os conflitos no Cáucaso nos anos 90 e 2000, Basta expressa a dor crua das famílias que recebiam corpos de jovens recrutas («моя страна как одна большая казарма»), denunciando o cinismo dos governantes.
• O sacrifício final da granada («Выдернул чеку»): O terceiro verso descreve com intensidade dramática o último recurso do soldado encurralado, que retira a cavilha da granada contra o próprio peito para evitar ser capturado vivo, remetendo para uma tradição trágica do exército soviético e russo.
• Símbolos eslavos de luto e memória: Imagens como as bétulas que choram na primavera («льют слёзы берёзы»), os frescos que vertem mirra e as noivas que desfazem as tranças fundem a mitologia eslava e a iconografia ortodoxa num lamento antibélico visceral.

📚 Lição de Russo

Parte 1: Vocabulário Chave
RussoPronúnciaPortuguêsContexto
казарма[kazarma]caserna, quartel militarМоя страна как одна большая казарма
опричник[oprichnik]opítchnik, guarda punitiva czaristaВласть в руках опричников-головорезов
деза[deza]desinformação, boato falso (gíria)Вожди точат ножи, запуская дезу
розги[rozgi]varas de açoite, chibatasПризнанье закона из нас выбито розгами
овраг[ovrag]ravina, barrancoТам в овраге я залягу
чека[cheka]cavilha de segurança de granadaВыдернул чеку, раз, два, три
Parte 2: A Metáfora Histórica dos «Опричники» no Discurso Crítico
A invocação dos опричники (corpo de repressão violenta czarista do século XVI) atua como denúncia contundente do arbítrio do poder estatal moderno, associando forças repressivas a mercenários violentos.
Parte 3: A Locução Adverbial Idiomática «Сломя голову» («Бегу сломя голову»)
A expressão fixa russa бежать сломя голову (correr desalmado, a toda a velocidade, arriscando a própria vida) sintetiza o movimento desesperado de fuga sob fogo cerrado.
Parte 4: A Locução Coloquial de Fatalidade «Нам крышка»
A fórmula expressiva de gíria нам крышка (estamos feitos, é o nosso fim) reflete a iminência incontornável da aniquilação no campo de batalha.

Exercícios Rápidos

Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:

Какой поступок совершает раненый боец в финале третьего куплета?

Qual é a atitude do soldado ferido no final do terceiro verso ao ver-se cercado pelas forças inimigas?

Associe as palavras russas da canção «Война» aos seus respetivos significados em português europeu:

Russo:
граната
солдат
небо
война
рана
Português:
guerra
soldado
ferida
céu
granada

Что символизирует метафора «моя страна как одна большая казарма» в первом куплете?

O que simboliza a metáfora «моя страна как одна большая казарма» na primeira estrofe?