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Letra em Russo
Грубеет в твоих руках
И светится волокнами в мозолях.
В ночь замерзает выпарень, -
Не зря меня три дня ругал
Его глазень и помнил в усолень.
А тропы повелико звенели в уэде,
Дымилось в осень становище:
За так теряли лихо
У каменных стен
И оживало корневище.
Был бы день вернуться обратно,
Смыть бедень промоиной лет.
Стыд скудел последней заплатой, -
Плача кудель усмехом не греть.
Раскосые ведут глаза,
Прощают негромкий след,
Мелеют в запахе прищуром.
Венчает путь утес кресал -
Велением его прозреть
И высечь имена посулом.
Кто просил
Вернуться обратно,
Вкус росы
Доверить губам,
Забывать последней заплатой,
Вязь повад нести на Кубань.
Прятать лицо
В кольцах овчины,
Взять храбрецом выдох степей.
Угли зачина искать берегами,
Как нарекали травинку тебе
Вплетать в тугие косы
Задаром,
Рубец шальной рогозы
У сердца беречь,
Лохматит гордыня устало,
Просится матень на скулы перечь
Медвежьей лапой
Царапать
Нахрапом
И светится волокнами в мозолях.
В ночь замерзает выпарень, -
Не зря меня три дня ругал
Его глазень и помнил в усолень.
А тропы повелико звенели в уэде,
Дымилось в осень становище:
За так теряли лихо
У каменных стен
И оживало корневище.
Был бы день вернуться обратно,
Смыть бедень промоиной лет.
Стыд скудел последней заплатой, -
Плача кудель усмехом не греть.
Раскосые ведут глаза,
Прощают негромкий след,
Мелеют в запахе прищуром.
Венчает путь утес кресал -
Велением его прозреть
И высечь имена посулом.
Кто просил
Вернуться обратно,
Вкус росы
Доверить губам,
Забывать последней заплатой,
Вязь повад нести на Кубань.
Прятать лицо
В кольцах овчины,
Взять храбрецом выдох степей.
Угли зачина искать берегами,
Как нарекали травинку тебе
Вплетать в тугие косы
Задаром,
Рубец шальной рогозы
У сердца беречь,
Лохматит гордыня устало,
Просится матень на скулы перечь
Медвежьей лапой
Царапать
Нахрапом
Tradução em Português
Torna-se rude nas tuas mãos
E brilha com fibras nos calos.
À noite a exalação congela, -
Não foi em vão que por três dias me xingou
O seu olhar atento e me lembrou na amargura.
E os caminhos ressoavam grandiosamente no desfiladeiro,
O acampamento fumegava no outono:
Assim, perdiam a desventura sem mais nem menos
Junto às muralhas de pedra
E o rizoma ganhava vida.
Houvesse um dia para voltar,
Lavar a miséria com a erosão dos anos.
A vergonha escasseava como o último remendo, -
A estopa do pranto não se aquece com um sorriso.
Olhos oblíquos conduzem,
Perdoam o rasto silencioso,
Tornam-se rasos no cheiro com o olhar semicerrado.
O caminho é coroado pelo rochedo dos fuzis -
Pelo seu comando, recobrar a visão
E esculpir nomes com uma promessa.
Quem pediu
Para voltar,
Confiar o gosto do orvalho
Aos lábios,
Esquecer com o último remendo,
Levar a trama dos hábitos para o Kuban.
Esconder o rosto
Nos anéis da pele de ovelha,
Tomar como um bravo o fôlego das estepes.
Procurar as brasas do início pelas margens,
Como te nomearam a ervinha
Para entrelaçar em tranças apertadas
De graça,
A cicatriz da tifa louca
Junto ao coração guardar,
A soberba desgrenha-se cansada,
A substância pede para ir contra as maçãs do rosto
Com uma pata de urso
Arranhar
Com impetuosidade
E brilha com fibras nos calos.
À noite a exalação congela, -
Não foi em vão que por três dias me xingou
O seu olhar atento e me lembrou na amargura.
E os caminhos ressoavam grandiosamente no desfiladeiro,
O acampamento fumegava no outono:
Assim, perdiam a desventura sem mais nem menos
Junto às muralhas de pedra
E o rizoma ganhava vida.
Houvesse um dia para voltar,
Lavar a miséria com a erosão dos anos.
A vergonha escasseava como o último remendo, -
A estopa do pranto não se aquece com um sorriso.
Olhos oblíquos conduzem,
Perdoam o rasto silencioso,
Tornam-se rasos no cheiro com o olhar semicerrado.
O caminho é coroado pelo rochedo dos fuzis -
Pelo seu comando, recobrar a visão
E esculpir nomes com uma promessa.
Quem pediu
Para voltar,
Confiar o gosto do orvalho
Aos lábios,
Esquecer com o último remendo,
Levar a trama dos hábitos para o Kuban.
Esconder o rosto
Nos anéis da pele de ovelha,
Tomar como um bravo o fôlego das estepes.
Procurar as brasas do início pelas margens,
Como te nomearam a ervinha
Para entrelaçar em tranças apertadas
De graça,
A cicatriz da tifa louca
Junto ao coração guardar,
A soberba desgrenha-se cansada,
A substância pede para ir contra as maçãs do rosto
Com uma pata de urso
Arranhar
Com impetuosidade
💡 Interpretação e Contexto Cultural
Etimologia Regional e Identidade Siberiana
• Kolyvan (Колывань): Este termo possui um duplo significado profundo na cultura russa. Refere-se a uma cidade histórica na região de Altai (Sibéria), famosa pela sua lapidaria e artesanato em pedra, mas é também o nome arcaico de Tallinn e uma designação para heróis épicos russos (Bogatyr). Na música, evoca a força telúrica e artesanal da Sibéria.
• O Kuban e as Estepes: A menção ao Kuban (região do sul da Rússia) aliada ao «fôlego das estepes» mostra a amplitude geográfica do nomadismo espiritual de Revyakin, unindo o Altai siberiano às tradições cossacas do sul.
• Neologismos de Revyakin: O autor utiliza neologismos como «бедень» (beden' - fusão de 'bida'/desgraça e 'den''/dia) e «глазень» (glazen' - um olhar aumentado ou místico), que criam uma linguagem xamânica exclusiva da banda.
• Simbolismo Animal e Natural: A «pata de urso» e o «rizoma» (корневище) reforçam a ideia de um regresso às origens biológicas e ancestrais, onde a cura e a identidade são esculpidas na própria terra e na carne.
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Мозолях | [ma-ZO-lyakh] | Calos | Caso Locativo plural. Representa o trabalho manual e a rudeza da vida na terra. |
| Заплата | [za-PLA-ta] | Remendo | Substantivo feminino. Metáfora para soluções temporárias ou a pobreza da alma perante a história. |
| Кудель | [ku-DYEL'] | Estopa / Maçaroca de fibras | Fibras de linho ou lã preparadas para fiar; aqui simboliza o emaranhado de sentimentos e pranto. |
| Кресал | [kri-SAL] | Fuzis (para fazer fogo) | Genitivo plural de 'Kresalo'. Instrumento antigo de metal usado para tirar faíscas de uma pederneira. |
| Овчины | [av-CHI-ny] | Pele de ovelha | Material tradicional de vestuário siberiano, simbolizando proteção e calor ancestral. |
| Нахрапом | [na-KHRA-pam] | Com impetuosidade / De assalto | Advérbio que indica uma ação feita com força bruta, audácia ou sem pedir licença. |
Parte 1: O Caso Instrumental de Modo e Agente
A letra utiliza o Caso Instrumental para descrever como as ações de transformação ocorrem:• Промоиной лет (Pela erosão dos anos): 'Promoyna' no Instrumental indica o meio pelo qual a miséria é lavada.
• Медвежьей лапой (Com pata de urso): Indica o instrumento da ação de arranhar.
Parte 2: Verbos Reflexivos e Processos Naturais
O uso de verbos como Оживало (Ganhava vida) e Лохматит (Desgrenha/Torna desalinhado) foca na autonomia da natureza e dos sentimentos.• Estes verbos descrevem processos que parecem ocorrer sem intervenção humana direta, reforçando o tom animista da poesia de Revyakin.
Parte 3: Construções Hipotéticas com o Condicional «Бы»
A frase «Был бы день вернуться обратно» utiliza a partícula бы para expressar um desejo ou uma possibilidade remota.• Em russo, a estrutura 'Substantivo + бы' é uma forma comum de expressar anseios profundos ou lamentações sobre o que poderia ter sido.
Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
В кольцах какого материала герой прячет лицо?
Em anéis de que material o herói esconde o rosto?
Faz a correspondência entre as imagens poéticas e os seus estados na letra:
Russo:
Становище
Выпарень
Корневище
Português:
Замерзает в ночь (Congela à noite)
Дымилось в осень (Fumegava no outono)
Оживало (Ganhava vida)
Куда герой несёт вязь повад?
Para onde o herói leva a trama dos hábitos?
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