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Letra em Russo
Горькой водой зови меня
Остаться до рассвета
Птахой-рубахой грей скорей
Поить росой осоку
Тихо унять вечоры тонь
Ослабить розги веток
Увиться свистом, взвесить весть
Из-под бровей высоко
И в косы осень заплетать
Теплить края
Одинокий мир дождями мил рукоян
Медным плечом плеть выбирать
Томить висок тревогой
Своды уводят сны вонзить
Светлеть стрелой каленой
Росчерк пера лучом прочёл
Гордыню плавить в рокот
В долины ринуть волю воль
Туманить жаждой склоны
И воздух звезд взахлеб хватать
Косой скулой
Обуять умы, грозит узда
Искрит ресницы ровней
И пускай закат в набег ватаг
В дрожь оголен
Одинокий мир беречь уста
Верить зацелован
Теперь уж берег белым не искать
Среди ночных степей
Едва приметна и узка
Легла тропа к тебе
Ветрами даром величали след
Кто слышал детский плач, кто смех нездешний
Соленый взгляд блестел в узле
Запомнить зарелив надеждой
Где лоскут небесный жгут
Горят костры свиданий
И щекой сулят невесты дня
В румянец молодой
Провожают жаром в березань
Пьянят напевом давним
Одинокий мир лицо умыл
Слезой согрел ладонь
Остаться до рассвета
Птахой-рубахой грей скорей
Поить росой осоку
Тихо унять вечоры тонь
Ослабить розги веток
Увиться свистом, взвесить весть
Из-под бровей высоко
И в косы осень заплетать
Теплить края
Одинокий мир дождями мил рукоян
Медным плечом плеть выбирать
Томить висок тревогой
Своды уводят сны вонзить
Светлеть стрелой каленой
Росчерк пера лучом прочёл
Гордыню плавить в рокот
В долины ринуть волю воль
Туманить жаждой склоны
И воздух звезд взахлеб хватать
Косой скулой
Обуять умы, грозит узда
Искрит ресницы ровней
И пускай закат в набег ватаг
В дрожь оголен
Одинокий мир беречь уста
Верить зацелован
Теперь уж берег белым не искать
Среди ночных степей
Едва приметна и узка
Легла тропа к тебе
Ветрами даром величали след
Кто слышал детский плач, кто смех нездешний
Соленый взгляд блестел в узле
Запомнить зарелив надеждой
Где лоскут небесный жгут
Горят костры свиданий
И щекой сулят невесты дня
В румянец молодой
Провожают жаром в березань
Пьянят напевом давним
Одинокий мир лицо умыл
Слезой согрел ладонь
Tradução em Português
Chama-me de água amarga
Para ficar até ao amanhecer
Como um pássaro-camisa, aquece depressa
Para dar de beber o orvalho à junça
Acalmar em silêncio a finura das noites
Alojar as varas dos ramos
Enroscar-se num assobio, pesar a notícia
Debaixo das sobrancelhas, lá no alto
E entrançar o outono nas tranças
Aqueçer as margens
O mundo solitário é gentil com as chuvas feitas à mão
Escolher o chicote com o ombro de cobre
Atormentar a têmpora com ansiedade
As abóbadas levam os sonhos para os cravar
Brilhar como uma flecha temperada
Li o traço da pena através de um raio
Para fundir o orgulho em estrondo
Lançar nas planícies a vontade das vontades
Nublar as encostas com sede
E agarrar o ar das estrelas avidamente
Com a maçã do rosto inclinada
Dominar as mentes, a rédea ameaça
Faiscar as pestanas com serenidade
E que o pôr do sol, no ataque das hordas
Fique nu num tremor
O mundo solitário guarda os lábios
Acreditar que foi beijado por inteiro
Agora já não procures a margem branca
Entre as estepes noturnas
Apenas percetível e estreita
A trilha deitou-se até ti
Chamavam o rasto de presente dos ventos
Quem ouviu o choro de criança, quem ouviu o riso de outro mundo
O olhar salgado brilhava no nó
Recordar o clarão com esperança
Onde queimam o retalho celestial
Ardem fogueiras de encontros
E com a bochecha as noivas do dia prometem
Num rubor jovem
Despedem-se com calor na estação das bétulas
Embriagam com um canto antigo
O mundo solitário lavou o rosto
Com uma lágrima aqueceu a palma da mão
Para ficar até ao amanhecer
Como um pássaro-camisa, aquece depressa
Para dar de beber o orvalho à junça
Acalmar em silêncio a finura das noites
Alojar as varas dos ramos
Enroscar-se num assobio, pesar a notícia
Debaixo das sobrancelhas, lá no alto
E entrançar o outono nas tranças
Aqueçer as margens
O mundo solitário é gentil com as chuvas feitas à mão
Escolher o chicote com o ombro de cobre
Atormentar a têmpora com ansiedade
As abóbadas levam os sonhos para os cravar
Brilhar como uma flecha temperada
Li o traço da pena através de um raio
Para fundir o orgulho em estrondo
Lançar nas planícies a vontade das vontades
Nublar as encostas com sede
E agarrar o ar das estrelas avidamente
Com a maçã do rosto inclinada
Dominar as mentes, a rédea ameaça
Faiscar as pestanas com serenidade
E que o pôr do sol, no ataque das hordas
Fique nu num tremor
O mundo solitário guarda os lábios
Acreditar que foi beijado por inteiro
Agora já não procures a margem branca
Entre as estepes noturnas
Apenas percetível e estreita
A trilha deitou-se até ti
Chamavam o rasto de presente dos ventos
Quem ouviu o choro de criança, quem ouviu o riso de outro mundo
O olhar salgado brilhava no nó
Recordar o clarão com esperança
Onde queimam o retalho celestial
Ardem fogueiras de encontros
E com a bochecha as noivas do dia prometem
Num rubor jovem
Despedem-se com calor na estação das bétulas
Embriagam com um canto antigo
O mundo solitário lavou o rosto
Com uma lágrima aqueceu a palma da mão
💡 Interpretação e Contexto Cultural
Simbologia do Isolamento e a Natureza Antropomorfizada
• Mundo Solitário (Одинокий мир): O título e o refrão apresentam o mundo como um ser sensível que «lava o rosto» e «aquece a palma da mão», sugerindo que a solidão não é um vazio, mas uma companhia viva e purificadora.
• Páthoy-rubakhoy (Птахой-рубахой): Uma construção poética típica de Revyakin que une o pássaro (liberdade/espírito) à camisa (proteção/intimidade), evocando o desejo de aquecer o outro no frio do isolamento.
• Vatag (Ватаг): Refere-se a «vataga», um termo histórico para bandos de homens livres, cossacos ou trabalhadores sazonais que percorriam as estepes. Representa a força coletiva e indomável que surge no «ataque do pôr do sol».
• Berezan (Березань): Um termo que remete tanto para a bétula (berezany) como para o tempo em que estas florescem ou a luz do bosque, simbolizando um refúgio natural de calor e embriaguez lírica.
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Осока | [A-SO-ka] | Junça / Erva cortante | Planta de pântano ou margens de rios com folhas afiadas. |
| Вечоры | [Vi-CHO-ry] | Noites / Tardes | Forma dialetal ou poética para 'vechera' (noites). |
| Каленая | [Ka-LYO-na-ya] | Temperada / Incandescente | Adjetivo usado para metal (flecha) que passou pelo fogo para ficar mais forte. |
| Рукоян | [Ru-ka-YAN] | Feito à mão / Artesanal | Neologismo ou termo arcaizante de Revyakin para indicar algo criado pela ação humana direta. |
| Скула | [Sku-LA] | Maçã do rosto | Parte do rosto; o adjetivo 'kosoy' (inclinada) sugere um esforço físico ou determinação. |
| Лоскут | [Las-KUT] | Retalho / Farrapo | Pequeno pedaço de pano; aqui usado para o céu fragmentado. |
Parte 2: Verbos de Estado e Desejo no Infinitivo
A letra utiliza uma sucessão de infinitivos para expressar vontade, destino ou a ordem natural das coisas: унять (acalmar), ослабить (aflojar), увиться (enroscar-se), заплетать (entrançar). Em russo poético, o infinitivo isolado pode atuar como uma diretiva espiritual ou um fado incontornável.Parte 3: O Uso do Caso Instrumental de Meio
Em «Светлеть стрелой каленой» (Brilhar como uma flecha), o substantivo 'strelou' (flecha) está no Instrumental para indicar a comparação de modo: brilhar da mesma maneira que ou através da forma de uma flecha.Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Чем одинокий мир согрел ладонь?
Com que é que o mundo solitário aqueceu a palma da mão?
Associe as partes do corpo e elementos aos seus estados na letra:
Russo:
Плечо
Ресницы
Висок
Português:
Томить тревогой (Atormentar com ansiedade)
Медное (De cobre)
Искрят (Faiscam)
Что вплетает в косы герой?
O que é que o herói entrança nas tranças?
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