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Letra em Russo
На дороге пятак, руки дернулись вверх
Кто-то плюнул в песок покатилось шаром
Собирать на себя, чтоб хватило на всех
Все дороги узлом — все узлы топором
Проканает и так узел в пыль на войну
На лету подхватил — унесу под крыльцо
Не отдам никому, закопаю в углу
Положу сверху камешек за пазуху
Карусель разнесло по цепочке за час
Всех известий пиздец да весна началась
Горевать — не гореть, горевать — не взрывать
Убивать, хоронить, горевать, забывать
Побежал, задохнулся, запнулся, упал
Увидал белый снег сквозь бетонный забор
Чудеса, да как леший бродил по лесам
Вон из рук всё бросай да кидайся к дверям
Все полы, все углы подмели языки
Не разулся у входа, пришел ночевать
До утра провалялся в аду да в бреду
А к утру провалился к паршивым чертям
С виду ложь, с гуся кровь побежит со щеки
Ни пропить, ни пропеть, ни слепить черепки
Ни крестов, ни сердец, всё злодейская масть
Убивать, хоронить, горевать, забывать
Поливает дождем первородная мысль
Размывает дорожки гляди — разошлись
В темноте все в одну, все одно к одному
Не мешай другому лицу, всё к лицу
Всё к лицу подлецу, как родному отцу
Не рассказывай, батя, и так все пройдет
Чередой дочерей всем раздеться, лежать
Убивать, хоронить, горевать, забывать
Побежали глаза по стволам, по рядам
Покатилось лицо по камням, по следам
Безразмерной дырой, укрывая траву
Позабыть насовсем, разузнать да уснуть
Только солнечный свет на просветах пружин
Переломанный лес на проломах дверей
Изгибающий ужас в изгибах коленей
В поклон до могил деревянным цветам...
Кто-то плюнул в песок покатилось шаром
Собирать на себя, чтоб хватило на всех
Все дороги узлом — все узлы топором
Проканает и так узел в пыль на войну
На лету подхватил — унесу под крыльцо
Не отдам никому, закопаю в углу
Положу сверху камешек за пазуху
Карусель разнесло по цепочке за час
Всех известий пиздец да весна началась
Горевать — не гореть, горевать — не взрывать
Убивать, хоронить, горевать, забывать
Побежал, задохнулся, запнулся, упал
Увидал белый снег сквозь бетонный забор
Чудеса, да как леший бродил по лесам
Вон из рук всё бросай да кидайся к дверям
Все полы, все углы подмели языки
Не разулся у входа, пришел ночевать
До утра провалялся в аду да в бреду
А к утру провалился к паршивым чертям
С виду ложь, с гуся кровь побежит со щеки
Ни пропить, ни пропеть, ни слепить черепки
Ни крестов, ни сердец, всё злодейская масть
Убивать, хоронить, горевать, забывать
Поливает дождем первородная мысль
Размывает дорожки гляди — разошлись
В темноте все в одну, все одно к одному
Не мешай другому лицу, всё к лицу
Всё к лицу подлецу, как родному отцу
Не рассказывай, батя, и так все пройдет
Чередой дочерей всем раздеться, лежать
Убивать, хоронить, горевать, забывать
Побежали глаза по стволам, по рядам
Покатилось лицо по камням, по следам
Безразмерной дырой, укрывая траву
Позабыть насовсем, разузнать да уснуть
Только солнечный свет на просветах пружин
Переломанный лес на проломах дверей
Изгибающий ужас в изгибах коленей
В поклон до могил деревянным цветам...
Tradução em Português
Na estrada uma moeda de cinco, as mãos estremeceram para cima
Alguém cuspiu na areia, rolou como uma bola
Juntar para si, para que chegue para todos
Todas as estradas num nó — todos os nós com um machado
Vai servir assim mesmo, o nó em pó para a guerra
Apanhei no voo — levarei para debaixo do alpendre
Não darei a ninguém, enterrarei no canto
Porei por cima uma pedrinha, guardada no peito
O carrossel despedaçou-se em cadeia numa hora
De todas as notícias: um p*zdeTs [catástrofe/fim] e a primavera começou
Fazer o luto — não é arder, fazer o luto — não é explodir
Matar, enterrar, fazer o luto, esquecer
Correu, sufocou, tropeçou, caiu
Viu a neve branca através da cerca de betão
Milagres, e como o Leshy vagueou pelas florestas
Larga tudo das mãos e atira-te para as portas
Todos os chãos, todos os cantos foram varridos pelas línguas
Não se descalçou à entrada, veio pernoitar
Até de manhã rebolou no inferno e no delírio
E de manhã caiu para os diabos sarnentos
Aparentemente é mentira, como sangue de um ganso escorrerá pela face
Nem beber [tudo], nem cantar, nem colar os cacos
Nem cruzes, nem corações, tudo naipe de vilão
Matar, enterrar, fazer o luto, esquecer
Rega com chuva o pensamento primordial
Lava os caminhos, olha — separaram-se
Na escuridão todos numa só, tudo um a um
Não atrapalhes a outra cara, tudo fica bem
Tudo fica bem ao canalha, como a um pai natal
Não contes, pai, e assim tudo passará
Numa fila de filhas todos despirem-se, deitar
Matar, enterrar, fazer o luto, esquecer
Correram os olhos pelos troncos, pelas fileiras
Rolou o rosto pelas pedras, pelas pegadas
Com um buraco sem dimensão, cobrindo a relva
Esquecer para sempre, descobrir e adormecer
Só a luz do sol nas frestas das molas
Floresta partida nas brechas das portas
O horror que curva nas dobras dos joelhos
Numa vénia até às campas para as flores de madeira...
Alguém cuspiu na areia, rolou como uma bola
Juntar para si, para que chegue para todos
Todas as estradas num nó — todos os nós com um machado
Vai servir assim mesmo, o nó em pó para a guerra
Apanhei no voo — levarei para debaixo do alpendre
Não darei a ninguém, enterrarei no canto
Porei por cima uma pedrinha, guardada no peito
O carrossel despedaçou-se em cadeia numa hora
De todas as notícias: um p*zdeTs [catástrofe/fim] e a primavera começou
Fazer o luto — não é arder, fazer o luto — não é explodir
Matar, enterrar, fazer o luto, esquecer
Correu, sufocou, tropeçou, caiu
Viu a neve branca através da cerca de betão
Milagres, e como o Leshy vagueou pelas florestas
Larga tudo das mãos e atira-te para as portas
Todos os chãos, todos os cantos foram varridos pelas línguas
Não se descalçou à entrada, veio pernoitar
Até de manhã rebolou no inferno e no delírio
E de manhã caiu para os diabos sarnentos
Aparentemente é mentira, como sangue de um ganso escorrerá pela face
Nem beber [tudo], nem cantar, nem colar os cacos
Nem cruzes, nem corações, tudo naipe de vilão
Matar, enterrar, fazer o luto, esquecer
Rega com chuva o pensamento primordial
Lava os caminhos, olha — separaram-se
Na escuridão todos numa só, tudo um a um
Não atrapalhes a outra cara, tudo fica bem
Tudo fica bem ao canalha, como a um pai natal
Não contes, pai, e assim tudo passará
Numa fila de filhas todos despirem-se, deitar
Matar, enterrar, fazer o luto, esquecer
Correram os olhos pelos troncos, pelas fileiras
Rolou o rosto pelas pedras, pelas pegadas
Com um buraco sem dimensão, cobrindo a relva
Esquecer para sempre, descobrir e adormecer
Só a luz do sol nas frestas das molas
Floresta partida nas brechas das portas
O horror que curva nas dobras dos joelhos
Numa vénia até às campas para as flores de madeira...
💡 Interpretação e Contexto Cultural
Nós Górdios, Mat e Flores de Madeira
• Pyatak (Пятак): Moeda de 5 copeques. Encontrar uma moeda é sinal de sorte, mas aqui desencadeia um reflexo nervoso («mãos estremeceram»). Na cultura russa, põe-se um pyatak debaixo do calcanhar para dar sorte nos exames, mas aqui a sorte parece ser apenas o início de um ciclo violento.
• Nós e Machados: A frase «Todas as estradas num nó — todos os nós com um machado» é uma referência brutal ao Nó Górdio. Em vez de desatar os problemas complexos da vida, eles são resolvidos com violência imediata (o machado). É a lógica da guerra e da revolução.
• Pizdets (Пиздец): Yanka usa um dos palavrões mais fortes do Mat russo. Significa «Fim total», «Catástrofe inevitável» ou «O cúmulo». A justaposição «De todas as notícias: o fim do mundo e a primavera começou» mostra a indiferença da natureza perante a tragédia humana.
• Como Sangue de Ganso: Ela distorce o idioma «Como água de ganso» (Kak s gusya voda - que significa que algo não afeta a pessoa, escorre sem deixar marca). Yanka muda para «Como sangue de ganso» (С гуся кровь), sugerindo que até a violência e o sangue se tornaram banais e não deixam marcas na consciência.
• Flores de Madeira: Na Rússia rural e pobre, ou nos invernos rigorosos, usavam-se por vezes flores artificiais ou entalhes de madeira nas campas. Fazer uma vénia a «flores de madeira» é uma imagem de morte fria e artificial.
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Пятак | [Pia-TAK] | Moeda de 5 copeques / 5 rublos | Símbolo de pouco valor ou sorte. |
| Топор | [Ta-POR] | Machado | Instrumental: Топором (Com machado). |
| Леший | [LYE-shiy] | Leshy (Espírito da floresta) | Entidade do folclore que faz as pessoas perderem-se. |
| Горевать | [Ga-ri-VAT'] | Fazer o luto / Chorar (mágoa) | Vem de Gore (Desgraça/Mágoa). |
| Черепки | [Chi-rip-KI] | Cacos / Fragmentos (de cerâmica) | Não dá para colar (Slepit'). |
| Пазуха | [PA-zu-kha] | Peito (espaço entre a roupa e o peito) | Za pazukhu = Guardar no peito. |
Parte 2: Instrumental de Comparação (Rolar como bola)
O russo usa o Caso Instrumental sem preposição para comparações de movimento.• Покатилось шаром (Rolou como uma bola).
• Шаром покати (Expressão: "Vazio como se tivesse rolado uma bola" - despensa vazia).
Parte 3: Sequência de Infinitivos (O Ciclo)
O refrão é uma lista de Infinitivos que funcionam como uma sentença perpétua ou uma instrução de vida.• Убивать (Matar).
• Хоронить (Enterrar).
• Горевать (Fazer o luto).
• Забывать (Esquecer).
• A falta de sujeito indica que isto acontece a todos, sempre.
Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Чем разрубают узлы в песне?
Com que se cortam os nós na música?
Ordena o ciclo da vida/morte segundo o refrão:
Russo:
Забывать
Горевать
Хоронить
Убивать
Português:
1. Matar
2. Enterrar
3. Fazer luto
4. Esquecer
Что началось вместе с плохими новостями?
O que começou juntamente com as más notícias?
🎵 Outras Músicas de "Стыд и срам"
1
Выше ноги от земли
Vyshe nogi ot zemli
Tira os pés do chão [Pés acima do chão]
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Столетний дождь
Stoletniy dozhd'
Chuva de Cem Anos / Chuva Centenária
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Песенка про паучков
Pesenka pro pauchkov
Cançãozinha sobre aranhas
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Sobre os diabinhos
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A Canção da Nyurka
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Придёт вода
Pridyot voda
A água virá / A água chegará
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Позабыт-позаброшен
Pozabyt-pozabroshen
Esquecido e Abandonado
