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Чемодан из кожзаменителя

Chemodan iz kozhzamenitelya

Mala de Imitação de Pele

Álbum: Нет, это я хочу умереть в Новом Орлеане
Compositor: Иван Лужков, Евгений Воротников
Letrista: Иван Лужков, Евгений Воротников
Arranjador: Золотые зубы

Letra em Russo

[Куплет 1: Иван Лужков]
За городом лето в самом разгаре
По тёплой траве
Вдоль белой дороги белые ноги шагали
Белым цветы цвели
Было влажно в их тени зубчатой
Шёл девяносто пятый
Вот серый дом из кирпича
С трещиною косой, уходящей в фундамент
Он исчезал в волнах листвы
Представляя с ней цельный орнамент
Ему было девять — он остался один
Ему было жарко — он выпил воды
Идёт за стремянкой, он лезет наверх
Может, от скуки, а может, есть цель
На антресоли, как правило, то
Что-то, что вы не готовы увидеть
Совершенно никто

[Куплет 2: Иван Лужков]
Там чемодан — размером больше, чем он сам
От времени на нём потрескался кожзам
В комнатку тащит тот чемодан — и тот тяжёл
Там огромный, как палуба, стол
В комнате полумрак, мне кажется, что она выше
Как отражения на водной глади, в ней все вещи
В чемодане — приборы, книги, тетради
Мальчик книгу откроет, но вот
Уперевшись локтями в стол, скользкий, как лёд
Он смотрит не в книгу, а вверх и вперёд

[Бридж: Евгений Воротников]
Спустя тридцать лет он сидит в кабинете и смотрит в окно
Вкрадчивый голос вдруг снова сквозь годы находит его
Я знаю, ты помнишь тот солнечный день и ваш домик из кирпича
Чего только люди не делают и хладнокровно, и сгоряча

[Куплет 3: Евгений Воротников]
Почему в тот день один был ты, напомни, я пойму
Тебе так хотелось есть, но напомни, почему
Ты напомни, почему мы с тобою любим тьму
На самом деле ты один был всю неделю, почему?
Папа тебе говорил: «Позабудь про чемодан
Никогда не открывай», — жаль, что ты был хулиган
Этот чёртов чемодан, в нём твой персональный ад
Дальше школа-интернат, ты ни в чём не виноват
Кто под белой простынёй: вот под этой и под той
Да, я вижу, вспоминаешь, нет-нет-нет постой постой
Чемодан лежит в земле: закопал его где дом
Вернуться бы и сжечь его, откладывал всё на потом
Понимал: если вернёшься и увидишь этот дом
То столкнёшься, словно с фурой, со своим тёмным нутром
Уже три десятка лет как закопан чемодан
Но ты загляни в свой стол и узнаешь, что он там
Телефон звонил впустую с перерывом на обед
Секретарша замерла, едва открыв дверь в кабинет
На ковре лежало тело холодное, как металл
На столе стоял испачканный землёю чемодан

[Аутро: Евгений Воротников]
Возвращается домой, муж с сыном уже спят
Протирает чемодан, на нём пятна и земля
А потом ложится спать, чемодан стоит в шкафу
Завтра будет новый день, её первый день в аду

Tradução em Português

[Verso 1: Ivan Luzhkov]
Fora da cidade o verão está no seu auge
Pela erva quente
Ao longo da estrada branca pernas brancas caminhavam
De branco as flores floresciam
Estava húmido na sua sombra serrilhada
Corria o ano noventa e cinco
Eis uma casa cinzenta de tijolo
Com uma fenda oblíqua, descendo até às fundações
Ela desaparecia nas ondas de folhagem
Formando com ela um ornamento inteiro
Ele tinha nove anos — ficou sozinho
Ele tinha calor — bebeu água
Vai buscar o escadote, sobe lá para cima
Talvez por tédio, ou talvez haja um objetivo
Na arrecadação de teto, por norma, está aquilo
Algo que não estão preparados para ver
Absolutamente ninguém

[Verso 2: Ivan Luzhkov]
Lá está uma mala — de tamanho maior que ele próprio
Com o tempo a napa nela rachou
Arrasta essa mala para o quartinho — e é pesada
Lá há uma mesa, enorme como um convés
No quarto há penumbra, parece-me que é mais alto
Como reflexos na superfície da água, nela estão todas as coisas
Na mala — aparelhos, livros, cadernos
O rapaz abrirá o livro, mas eis que
Apoiando os cotovelos na mesa, escorregadia como gelo
Ele não olha para o livro, mas para cima e em frente

[Ponte: Evgeny Vorotnikov]
Passados trinta anos ele está sentado no escritório e olha pela janela
Uma voz insinuante de repente encontra-o de novo através dos anos
Eu sei, tu lembras-te daquele dia solarengo e da vossa casinha de tijolo
O que as pessoas não fazem tanto a sangue frio, como a quente

[Verso 3: Evgeny Vorotnikov]
Porque estavas tu sozinho naquele dia, lembra-me, eu compreenderei
Tu tinhas tanta vontade de comer, mas lembra-me porquê
Lembra-me, porque é que eu e tu amamos a escuridão
Na verdade tu estiveste sozinho a semana toda, porquê?
O papá dizia-te: «Esquece a mala
Nunca a abras», — é pena que fosses um rufia
Essa maldita mala, nela está o teu inferno pessoal
A seguir um colégio interno, tu não tens culpa de nada
Quem está debaixo do lençol branco: aqui debaixo deste e daquele
Sim, estou a ver, estás a lembrar-te, não-não-não espera espera
A mala está na terra: enterraste-a onde é a casa
Quem dera voltar e queimá-la, adiavas tudo para depois
Compreendias: se voltares e vires essa casa
Vais embater, como num camião, com o teu íntimo sombrio
Já há três dezenas de anos que a mala está enterrada
Mas espreita para a tua mesa e saberás, que ela está lá
O telefone tocou em vão com pausa para almoço
A secretária gelou, mal abriu a porta para o escritório
No tapete jazia um corpo frio como metal
Em cima da mesa estava a mala suja de terra

[Outro: Evgeny Vorotnikov]
Volta para casa, o marido e o filho já dormem
Limpa a mala, nela há manchas e terra
E depois deita-se a dormir, a mala está no armário
Amanhã será um novo dia, o seu primeiro dia no inferno

💡 Interpretação e Contexto Cultural

A Transmissão do Trauma e o Terror Psicológico
A Estética dos Anos 90: A menção ao ano de 1995 (девяносто пятый) situa a primeira parte da história num período de extrema turbulência e criminalidade na Rússia pós-soviética. A solidão do rapaz e a ausência dos pais enquadram-se na dura realidade de abandono infantil da época.

A Arrecadação Soviética (Антресоль): Quase todos os apartamentos da era soviética possuíam um pequeno espaço de arrumação embutido no teto, geralmente num corredor. Culturalmente, tornou-se o local onde se guardavam coisas velhas e segredos de família, funcionando aqui como uma metáfora perfeita para o subconsciente onde o trauma é reprimido.

O Lençol Branco: A imagem arrepiante de descobrir quem está debaixo dos lençóis brancos («под белой простынёй») sugere que o rapaz encontrou os corpos dos próprios pais assassinados, o que justifica a sua posterior ida para o colégio interno (школа-интернат).

O Objeto Amaldiçoado: A narrativa da música segue a estrutura de um clássico conto de terror: a mala suja de terra atua como um artefacto amaldiçoado. Após levar o protagonista ao suicídio, a mala passa para a secretária que a leva para casa, perpetuando o ciclo de loucura e morte («o seu primeiro dia no inferno»).

📚 Lição de Russo

Parte 1: Vocabulário Chave
RussoPronúnciaPortuguêsContexto
Кожзам[Kozh-ZAM]Napa / Pele sintéticaAbreviação coloquial de 'Kozhzamenitel'. Material barato que racha com o tempo.
Антресоль[An-tri-SOL']Arrecadação de tetoPequeno armário no teto típico da arquitetura soviética.
Стремянка[Stri-MYAN-ka]EscadoteEscada portátil dobrável.
Хулиган[Khu-li-GAN]Rufia / DelinquenteTermo muito usado por pais para repreender rapazes desobedientes.
Простыня[Pras-ty-NYA]LençolNeste contexto fúnebre, os lençóis que cobrem os cadáveres.
Вкрадчивый[VKRAD-chi-vyy]Insinuante / SuaveAdjetivo para uma voz mansa, mas frequentemente enganadora ou ameaçadora.

Parte 2: Verbos de Posição (Стоять vs Лежать)
Na língua russa, a descrição da localização de objetos e corpos é altamente específica. O corpo inerte «лежало» (estava deitado/jazia) no tapete, enquanto a mala «стоял» (estava de pé/colocada de forma estável) na secretária. A gramática russa exige que se perceba a postura do objeto no espaço, não se limitando ao verbo ser/estar.

Parte 3: O Uso da Partícula Condicional para Desejo Irrealizável
Na frase «Вернуться бы и сжечь его» (Quem me dera voltar e queimá-la), o infinitivo seguido pela partícula бы expressa um forte desejo irrealizável ou um profundo arrependimento no passado. O protagonista sofre por ter adiado a confrontação com o seu trauma («откладывал всё на потом» - adiava tudo para depois).

Exercícios Rápidos

Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:

В каком году происходит начало истории мальчика?

Em que ano ocorre o início da história do rapaz?

Faz a correspondência entre a pessoa ou objeto e a sua localização final na música:

Russo:
Секретарша
Чемодан (в конце)
Тело
Português:
No armário
No tapete
Na porta

Кого, по смыслу песни, мальчик нашёл под белой простынёй?

Quem, pelo contexto da canção, o rapaz encontrou debaixo do lençol branco?