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Letra em Russo
Качается ель печально в окне
Кончается день, дичает апрель
Прижала к стеклу сухую ладонь
Позвали к столу, но останусь с тобой
Не нужен обед, я больше не ем
Уже много лет тебя рядом нет
Тебя рядом нет, но где-то ты есть
Пускай не сейчас, не со мной и не здесь
Ты так же, как я, не любишь родных
И так же, как я, ты злишься на них
Они как мои, не такие, как ты
Дешёвые мысли, фальшивые рты
То страшные яды в дежурных словах
То жалкие взгляды побитых собак
На наших родных зловредная грязь
Их нужно отмыть, их нужно украсть
Мы возьмём их в плен, посадим на цепь
Запрём на кухне, связав руки сзади
Сломить их дух — это наша цель
Понятно, что с этим не справиться за день
Нужно лишить их базовых чувств
Чтоб не могли ни слышать, ни видеть
И в тёмной тиши я их научу
Как надо жить, и я не шучу
Но ты в ответ на мой план говоришь
Что всё это — бред и фантазии лишь
Что так сгоряча не рубят с плеча
Что я одичалая, как саранча
Они — люди близкие, как ни крути
И я не смогу на такое пойти
А если смогу — дорога потом
Либо в колонию, либо в дурдом
А я скажу в ответ: «Ты не напугал»
Твой ценный совет мне никуда не упал
И вообще тебя нет, ты выдуман мной
И всё, что ты скажешь, — фактически ноль
Все эти слова придумала я
Мечтая одна, застыв у окна
А в этом окне качается ель
Кончается день, дичает апрель
Кончается день, дичает апрель
Прижала к стеклу сухую ладонь
Позвали к столу, но останусь с тобой
Не нужен обед, я больше не ем
Уже много лет тебя рядом нет
Тебя рядом нет, но где-то ты есть
Пускай не сейчас, не со мной и не здесь
Ты так же, как я, не любишь родных
И так же, как я, ты злишься на них
Они как мои, не такие, как ты
Дешёвые мысли, фальшивые рты
То страшные яды в дежурных словах
То жалкие взгляды побитых собак
На наших родных зловредная грязь
Их нужно отмыть, их нужно украсть
Мы возьмём их в плен, посадим на цепь
Запрём на кухне, связав руки сзади
Сломить их дух — это наша цель
Понятно, что с этим не справиться за день
Нужно лишить их базовых чувств
Чтоб не могли ни слышать, ни видеть
И в тёмной тиши я их научу
Как надо жить, и я не шучу
Но ты в ответ на мой план говоришь
Что всё это — бред и фантазии лишь
Что так сгоряча не рубят с плеча
Что я одичалая, как саранча
Они — люди близкие, как ни крути
И я не смогу на такое пойти
А если смогу — дорога потом
Либо в колонию, либо в дурдом
А я скажу в ответ: «Ты не напугал»
Твой ценный совет мне никуда не упал
И вообще тебя нет, ты выдуман мной
И всё, что ты скажешь, — фактически ноль
Все эти слова придумала я
Мечтая одна, застыв у окна
А в этом окне качается ель
Кончается день, дичает апрель
Tradução em Português
Um abeto balança tristemente na janela
O dia termina, abril torna-se selvagem
Pressionei a palma seca contra o vidro
Chamaram para a mesa, mas ficarei contigo
Não preciso de almoço, já não como mais
Há muitos anos que não estás por perto
Não estás por perto, mas algures existes
Que não seja agora, nem comigo, nem aqui
Tu, tal como eu, não gostas dos parentes
E tal como eu, tu zangas-te com eles
Eles são como os meus, não são como tu
Pensamentos baratos, bocas falsas
Ora venenos terríveis em palavras de rotina
Ora olhares miseráveis de cães espancados
Há uma lama malévola nos nossos parentes
É preciso lavá-los, é preciso roubá-los
Vamos levá-los cativos, prendê-los numa corrente
Fechá-los na cozinha, amarrando as mãos atrás
Quebrar o espírito deles — esse é o nosso objetivo
É claro que isto não se resolve num dia
É preciso privá-los dos sentidos básicos
Para que não possam nem ouvir, nem ver
E no silêncio escuro eu os ensinarei
Como se deve viver, e eu não estou a brincar
Mas tu, em resposta ao meu plano, dizes
Que tudo isto é apenas delírio e fantasias
Que não se tomam decisões assim tão precipitadas
Que eu sou selvagem como um gafanhoto
Eles são pessoas próximas, por mais que se tente negar
E eu não serei capaz de fazer tal coisa
E se for capaz — o caminho depois é
Ou para a colónia, ou para o manicómio
E eu direi em resposta: «Tu não me assustaste»
O teu conselho valioso não me serviu de nada
E, na verdade, tu não existes, foste inventado por mim
E tudo o que digas é, factualmente, zero
Todas estas palavras fui eu que inventei
Sonhando sozinha, paralisada junto à janela
E nesta janela balança um abeto
O dia termina, abril torna-se selvagem
O dia termina, abril torna-se selvagem
Pressionei a palma seca contra o vidro
Chamaram para a mesa, mas ficarei contigo
Não preciso de almoço, já não como mais
Há muitos anos que não estás por perto
Não estás por perto, mas algures existes
Que não seja agora, nem comigo, nem aqui
Tu, tal como eu, não gostas dos parentes
E tal como eu, tu zangas-te com eles
Eles são como os meus, não são como tu
Pensamentos baratos, bocas falsas
Ora venenos terríveis em palavras de rotina
Ora olhares miseráveis de cães espancados
Há uma lama malévola nos nossos parentes
É preciso lavá-los, é preciso roubá-los
Vamos levá-los cativos, prendê-los numa corrente
Fechá-los na cozinha, amarrando as mãos atrás
Quebrar o espírito deles — esse é o nosso objetivo
É claro que isto não se resolve num dia
É preciso privá-los dos sentidos básicos
Para que não possam nem ouvir, nem ver
E no silêncio escuro eu os ensinarei
Como se deve viver, e eu não estou a brincar
Mas tu, em resposta ao meu plano, dizes
Que tudo isto é apenas delírio e fantasias
Que não se tomam decisões assim tão precipitadas
Que eu sou selvagem como um gafanhoto
Eles são pessoas próximas, por mais que se tente negar
E eu não serei capaz de fazer tal coisa
E se for capaz — o caminho depois é
Ou para a colónia, ou para o manicómio
E eu direi em resposta: «Tu não me assustaste»
O teu conselho valioso não me serviu de nada
E, na verdade, tu não existes, foste inventado por mim
E tudo o que digas é, factualmente, zero
Todas estas palavras fui eu que inventei
Sonhando sozinha, paralisada junto à janela
E nesta janela balança um abeto
O dia termina, abril torna-se selvagem
💡 Interpretação e Contexto Cultural
O Solipsismo e a Violência Imaginária
«Дичает Апрель» é uma narrativa psicológica densa que explora o isolamento e o conflito geracional. A protagonista projeta um diálogo com uma figura ausente (ou imaginária) sobre o ódio profundo que sente pelos seus familiares, descritos com desprezo visceral («pensamentos baratos», «bocas falsas»).
A reviravolta final da letra revela que o plano macabro de sequestro e tortura psicológica dos parentes é apenas um monólogo interior. A revelação de que o interlocutor é «inventado» (выдуман мной) sublinha o tema da solidão absoluta. A música utiliza a mudança de estação — o abril que «encrava» ou «se torna selvagem» — como metáfora para o estado mental da narradora, presa num loop de rancor e fantasia entre as quatro paredes de uma casa onde o tempo parece ter parado.
«Дичает Апрель» é uma narrativa psicológica densa que explora o isolamento e o conflito geracional. A protagonista projeta um diálogo com uma figura ausente (ou imaginária) sobre o ódio profundo que sente pelos seus familiares, descritos com desprezo visceral («pensamentos baratos», «bocas falsas»).
A reviravolta final da letra revela que o plano macabro de sequestro e tortura psicológica dos parentes é apenas um monólogo interior. A revelação de que o interlocutor é «inventado» (выдуман мной) sublinha o tema da solidão absoluta. A música utiliza a mudança de estação — o abril que «encrava» ou «se torna selvagem» — como metáfora para o estado mental da narradora, presa num loop de rancor e fantasia entre as quatro paredes de uma casa onde o tempo parece ter parado.
📚 Lição de Russo
Parte 1: Vocabulário Chave
| Russo | Pronúncia | Português | Contexto |
|---|---|---|---|
| Дичать | [Di-CHAT'] | Tornar-se selvagem | Verbo que indica o processo de perder a civilidade ou tornar-se bravio. |
| Ель | [Yel'] | Abeto / Picea | Árvore conífera típica das florestas russas. |
| Плен | [Plen] | Cativeiro / Prisão | Usado na expressão 'взять в плен' (levar cativo). |
| Дурдом | [Dur-DOM] | Manicómio / Casa de doidos | Gíria russa para hospital psiquiátrico. |
| Сгоряча | [Zga-ri-CHA] | No calor do momento / De forma precipitada | Advérbio que descreve uma ação feita sob forte emoção. |
| Цепь | [Tsep'] | Corrente | Objeto metálico para prender algo ou alguém. |
Parte 2: A partícula «То... то...» (Alternância)
A letra utiliza a construção То... то... para descrever estados ou visões que se alternam: «То страшные яды... То жалкие взгляды» (Ora venenos terríveis... ora olhares miseráveis). É uma forma eficaz de listar percepções contraditórias ou sucessivas.Parte 3: Negação Total com «Ни... ни...»
Para expressar a privação total de sentidos, o autor usa a dupla negação: «Чтоб не могли ни слышать, ни видеть» (Para que não pudessem nem ouvir, nem ver). Em russo, esta construção reforça a impossibilidade de ambas as ações.Exercícios Rápidos
Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:
Кем выдуман собеседник героини?
Por quem foi inventado o interlocutor da heroína?
Associa os substantivos às suas descrições na letra:
Russo:
Ладонь
Мысли
Слова
Português:
Seca (Sukhuyu)
Baratas (Deshyovye)
De rotina (Dezhurnykh)
Какое дерево качается в окне?
Que árvore balança na janela?
