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Дурак и Солнце

Durak i Solntse

O Tolo e o Sol

Álbum: Дурень
Compositor: Konstantin Kinchev
Letrista: Konstantin Kinchev
Arranjador: Alisa

Letra em Russo

Не Бог весть, чёрт-те как
Жил на свете дурак
Без царя в голове
Сам как на ладони
В тех краях, где угар
Голод, мор да пожар
Где дым стада облаков
По земле гонит

Так он в копоти жил
Не петлял, не кружил
Верой-правдой служил
Ветру, настежь душу
Как он солнце нашёл
Да по звёздам прошёл
Я тебе расскажу
Слушай:

За тридевять земель
Неба на краю
Пляшет мрак
По трухлявым, перекошенным пням
Да наводит на свет
Серый пепел порчи
А над всей землёй
Солнца нет сто лет –
Только ночь да разорванных звёзд
Клочья!

А народ в тех краях
В мути-темени чах
И не сразу, не вдруг, но забыл
Что жил иначе
В хороводе ночей
Стыло пламя очей
И со временем в тех краях
Не осталось зрячих

Лёд пустых глазниц
Оторопь сердец
Кривотолков чад
Гонят дурака по сонной земле
Где не стынет закат
Где не плещут зори
Сколько лет в пути
А сколько впереди?
Как найти да помочь дураку одолеть
Горе?

На краю небес
Вырывает бес
Из волос репьи-мраки
Да блюёт на свет
Звёздами побед –
Беса не унять в драке
Разметать репьи
По краям земли
Нынче дураку сила
Да с небес сорвать
Бешеную тать
Солнцу помоги, милый!

Кто видел, как по небу плывёт огонь
Какая в синем радость золотого
Как к водопою спускается белый конь
Как отражает солнце след его подковы
Как в облаках искрятся ресницы зорь
Как от росы скользят по травам переливы
Кто видел, как из сердца уходит боль
Как хорошо тогда, легко и как красиво

Не в аду, не в раю
А на самом краю
Где землёй отродясь
Правил бледный почерк
Чтобы свет разметать
Над землею опять
Бился с мутью дурень три дня
И три ночи

Свет осенних звёзд вплёл в прядь своих волос
Солнца луч был в его руке сияньем клинка
Где трава высока да златые кольца –
Я там тоже был, этот сказ сложил
А над нами по сей день горит
Солнце!

Tradução em Português

Não se sabe como, sabe-se lá de que jeito
Vivia no mundo um tolo
Sem rei na cabeça
Ele próprio como na palma da mão
Nesses confins onde há fumo denso
Fome, peste e incêndio
Onde o fumo conduz rebanhos de nuvens
Pela terra

Assim ele vivia na fuligem
Não ziguezagueava, não dava voltas
Servia com fé e verdade
Ao vento, com a alma escancarada
Como ele encontrou o sol
E passou pelas estrelas
Eu te contarei
Escuta:

Em terras longínquas
No limite do céu
A treva dança
Sobre cepos podres e tortos
E lança sobre a luz
A cinza cinzenta do feitiço
E sobre toda a terra
Não há sol há cem anos –
Apenas a noite e de estrelas rasgadas
Farrapos!

E o povo naqueles confins
Definhava na turvação e na treva
E não logo, não de repente, mas esqueceu
Que viveu de outra forma
Na roda das noites
Esfriava a chama dos olhos
E com o tempo naqueles confins
Não restaram videntes

Gelo de órbitas vazias
Espanto dos corações
Fumo de boatos
Conduzem o tolo pela terra sonolenta
Onde o pôr do sol não arrefece
Onde as auroras não rumorejam
Quantos anos no caminho
E quantos pela frente?
Como encontrar e ajudar o tolo a vencer
A dor?

No limite dos céus
O demónio arranca
Dos cabelos carrapichos-trevas
E vomita sobre a luz
Estrelas de vitórias –
Não se acalma o demónio na luta
Espalhar os carrapichos
Pelos confins da terra
Hoje para o tolo há força
Para do céu arrancar
O ladrão enfurecido
Ajuda o sol, querido!

Quem viu como pelo céu flutua o fogo
Que alegria do dourado no azul
Como ao bebedouro desce um cavalo branco
Como o sol reflete o rasto da sua herradura
Como nas nuvens brilham as pestanas das auroras
Como do orvalho deslizam pelas ervas os reflexos
Quem viu como do coração sai a dor
Como é bom então, leve e como é belo

Nem no inferno, nem no paraíso
Mas no próprio limite
Onde na terra desde sempre
Governou uma escrita pálida
Para espalhar a luz
Sobre a terra novamente
Lutou contra a turvação o tolo três dias
E três noites

A luz das estrelas outonais entrançou na mecha dos seus cabelos
O raio de sol na sua mão era o brilho de uma lâmina
Onde a erva é alta e há anéis dourados –
Eu também lá estive, este conto compus
E sobre nós até ao dia de hoje arde
O Sol!

💡 Interpretação e Contexto Cultural

O Arquétipo do 'Ivan, o Tolo' no Rock Russo
O Tolo Sagrado (Yurodivy): A figura do «Дурак» (tolo) nesta música é uma referência ao arquétipo folclórico russo de Ivan, o Tolo, que apesar de parecer ingénuo ou desprovido de intelecto social, possui uma pureza de coração que lhe permite realizar feitos impossíveis e aceder à verdade divina.
Espiritualidade Ortodoxa: A luta do tolo contra o «бес» (demónio) e a «муть» (turvação/caos) reflete a batalha espiritual constante entre a luz de Deus e as trevas, um tema central na obra de Kinchev após a sua conversão.
Linguagem dos Contos de Fadas: Expressões como «За тридевять земель» (em terras longínquas/em 3x9 terras) e o encerramento «Я там тоже был» (Eu também lá estive) são fórmulas tradicionais dos contos populares russos (skazki).
O Sol como Divindade: O Sol aqui não é apenas um astro, mas o símbolo da Verdade e de Cristo, que brilha sobre a «terra sonolenta» onde as pessoas perderam a visão espiritual («não restaram videntes»).

📚 Lição de Russo

Parte 1: Vocabulário Chave
RussoPronúnciaPortuguêsContexto
Дурак[Du-RAK]Tolo / BoboPersonagem central do folclore russo; alguém que age pelo coração e não pela lógica.
Мрак[Mrak]Treva / Escuridão profundaUsado para descrever uma escuridão opressiva ou espiritual.
Чахнуть[CHAKH-nut']Definhar / Definhar de tristezaVerbo que descreve o enfraquecimento físico ou espiritual lento.
Очи[O-chi]Olhos (poético)Forma arcaica e poética para 'glaza' (olhos).
Бес[Byes]Demónio / Espírito malignoEntidade do folclore e da religião eslava que causa confusão.
Клинок[Kli-NOK]LâminaA parte cortante de uma espada ou faca.

Parte 2: Idiomatismos com o Corpo
A letra utiliza a expressão Без царя в голове (Sem rei na cabeça). Este é um idiomatismo russo que descreve alguém que é irresponsável, excêntrico ou que não tem juízo. Outro exemplo é Сам как на ладони (Como na palma da mão), que significa ser alguém transparente, honesto e sem segredos.

Parte 3: O Caso Locativo de Lugar e Confins
O termo В тех краях (naqueles confins/terras) utiliza o Caso Locativo plural de 'kray' (borda/terra). A preposição 'v' indica localização dentro de uma região vasta, comum em descrições geográficas de contos épicos russos.

Exercícios Rápidos

Tenta usar o vocabulário e a gramática acima:

Сколько лет над землёй нет солнца согласно песне?

Há quantos anos não há sol sobre a terra segundo a música?

Faz a correspondência entre as imagens folclóricas:

Russo:
Серый пепел
Белый конь
Золотой луч
Português:
Cavalo branco
Raio dourado
Cinza cinzenta

Что означает выражение «без царя в голове»?

O que significa a expressão «sem rei na cabeça»?